A polícia da Itália cumpriu mandados de busca, nesta quinta-feira (16), nas sedes de 11 marcas de luxo. A operação integra uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Milão, que apura a suposta exploração de trabalhadores chineses na cadeia produtiva do setor.
A lista de empresas alvos da ação inclui marcas de peso como Chanel, Bulgari e Etro. A operação foi confirmada à agência AFP pelo promotor milanês Paolo Storari, endossando as informações publicadas inicialmente pelo jornal econômico Il Sole 24 Ore.
O rol de companhias investigadas nesta etapa conta ainda com Brunello Cucinelli, Moncler, Jacob Cohen Company, Owenscorp Italia, Goyard Italia, F.Vl, Stefano Ricci e Brandart.
A linha de investigação das autoridades aponta que essas grifes teriam permitido que fornecedores terceirizados utilizassem ateliês operados por trabalhadores chineses em condições que violam a legislação trabalhista do país. Os investigadores relatam que, em alguns desses casos, os operários eram instalados em moradias insalubres.
Desdobramentos no setor
A fiscalização sobre o uso irregular de mão de obra na moda italiana faz parte de uma ofensiva mais ampla. Após flagrar irregularidades salariais e estruturais em ateliês locais, o Ministério Público de Milão já havia expandido as investigações no final de 2025 para abranger outras 13 gigantes do mercado, entre elas Prada, Givenchy e Dolce & Gabbana.
O impacto das apurações na indústria gerou reações no governo. No ano passado, o ministro da Indústria, Adolfo Urso, saiu em defesa das empresas, declarando que a reputação da etiqueta “Made in Italy” estava sob ataque.
Em decorrência das constatações trabalhistas, algumas marcas enfrentaram sanções diretas. A Loro Piana, empresa especializada em caxemira, chegou a ser colocada sob administração judicial temporária. A intervenção só foi suspensa após a companhia comprovar a implementação de controles mais rigorosos sobre sua rede de fornecedores.