Brasileiro ganha um dos principais prêmios da Alemanha por pesquisa sobre câncer

Brasileiro ganha um dos principais prêmios da Alemanha por pesquisa sobre câncer

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Beatriz Castellucio

Reprodução/Deutsche Welle

Publicado em 10/07/2026 às 19:10 / Leia em 3 minutos

Um pesquisador brasileiro conquistou o Prêmio Alemão do Câncer, um dos mais importantes reconhecimentos científicos da Alemanha na área. O professor José Pedro Friedmann Angeli, da Universidade de Würzburg, foi premiado na categoria de pesquisa experimental pelo trabalho sobre a ferroptose, mecanismo de morte celular estudado por seu potencial no desenvolvimento de novas terapias contra tumores. As informações são do portal Deutsche Welle.

Segundo Angeli, o reconhecimento veio pelas descobertas relacionadas aos mecanismos biológicos que regulam a ferroptose, especialmente por sua possível aplicação no combate a células cancerígenas resistentes aos tratamentos atuais.

“A gente ganhou pelas descobertas da biologia, do processo fundamental de regulação da ferroptose. E isso tem relevância para o câncer devido a esse grande interesse em eliminar essas células que são resistentes a drogas”, afirmou.

A ferroptose é um processo de morte celular associado à oxidação de gorduras presentes nas células. Para explicar o fenômeno, o pesquisador faz uma comparação com alimentos expostos ao ar.

“O processo de ferroptose envolve a oxidação de ácidos graxos. O jeito talvez mais fácil de visualizar isso é se, por exemplo, você pega um pedaço de queijo, você pega uma manteiga e você esquece fora da geladeira. Ela vai mudar de cor, o sabor vai mudar. E todo esse processo de oxidação é basicamente isso o que acontece: o oxigênio modificando lipídios. E isso acontece nas células também. As células são compostas de ácidos graxos e esses ácidos graxos são vulneráveis ao ataque por espécies reativas de oxigênio”, explicou.

De acordo com a reportagem, embora a ferroptose possa estar relacionada ao surgimento de algumas doenças, cientistas investigam formas de induzir esse mecanismo de maneira controlada para destruir células tumorais, principalmente aquelas que apresentam resistência aos medicamentos disponíveis.

“Sempre quando a gente trabalha com morte celular tem essas duas vias. Você tenta entender para prevenir e entender para induzir”, destacou Angeli.

O grupo liderado pelo brasileiro também contribuiu para identificar o papel de uma enzima essencial nesse processo e desenvolveu compostos com potencial terapêutico. Apesar dos avanços, o pesquisador ressalta que a aplicação clínica ainda depende de um longo caminho. “É uma fase muito preliminar ainda. Se tudo correr bem, até chegar em um estudo clínico de verdade, a gente está falando aí provavelmente de 10 a 15 anos”, afirmou.

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