Os portos baianos estão no centro dos planos de modernização da infraestrutura logística do país. Enquanto o governo federal prepara novos leilões de concessão para terminais e canais de acesso, os portos públicos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus devem receber mais de R$ 280 milhões em investimentos ainda este ano, segundo a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).
Também está prevista a concessão do terminal de uso privado de Ilhéus, com investimento estimado em R$ 1 milhão. Ao todo, cinco projetos na região Nordeste somam cerca de R$ 2,19 bilhões em investimentos previstos, entre eles o canal de acesso de Salvador e Aratu-Candeias e do terminal de uso privado de Ilhéus, segundo informações do Valor Econômico.
De acordo com o presidente da Codeba, Antonio Gobbo, parte dos recursos destinados aos portos públicos será aplicada na ampliação do calado do Porto de Salvador para 17 metros de profundidade. O montante também financiará obras de recuperação no Porto de Ilhéus e a implantação de sistemas inteligentes de controle de acesso.
Nos últimos três anos, a Codeba já desembolsou mais de R$ 121 milhões em infraestrutura, aquisição de equipamentos, sistemas e controles de acesso, sem considerar os investimentos realizados por empresas arrendatárias. Para este ano, a expectativa é que companhias como CS Portos, Ultracargo e Grupo Maratá invistam cerca de R$ 1,2 bilhão em melhorias nos terminais que operam.
A projeção da autoridade portuária é de que a movimentação nos portos públicos baianos cresça 7,7% em 2026, alcançando 14 milhões de toneladas. Segundo Gobbo, o potencial, porém, depende da melhoria dos acessos rodoviários, ferroviários e hidroviários, considerados hoje os principais gargalos logísticos.
Nesse contexto, a Codeba também aguarda a transferência da operação da Hidrovia do Rio São Francisco, considerada estratégica para o escoamento de cargas ao longo de 1.371 quilômetros, entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). A expectativa é que o processo seja formalizado até agosto.
Em relação às concessões, o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, afirmou que os projetos ainda passam por estudos e que a prioridade é garantir que os investimentos atendam às necessidades do mercado e das comunidades envolvidas antes da publicação dos editais.