Trump ataca Papa Leão XIV e gera reação de líderes católicos após críticas à guerra

Trump ataca Papa Leão XIV e gera reação de líderes católicos após críticas à guerra

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Redes Sociais/Joey Sussman/Shutterstock

Publicado em 13/04/2026 às 08:22 / Leia em 4 minutos

As críticas do Donald Trump ao Papa Leão XIV abriram um novo capítulo de tensão entre a Casa Branca e o Vaticano, após o líder da Igreja Católica intensificar apelos por paz diante da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã. Considerado um dos mais influentes críticos globais do conflito, o pontífice condenou recentemente a idolatria de pessoas e do dinheiro, além da “violência absurda e desumana” desencadeada pela escalada militar no Oriente Médio.

As declarações repercutiram diretamente em Washington. Em uma longa publicação nas redes sociais no domingo (12) à noite, Trump reagiu de forma contundente e buscou associar a ascensão de Leão XIV ao papado à sua própria influência política. “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante”, escreveu. “Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, disse o presidente, que ainda publicou uma ilustração vestido com traje religioso.

O presidente elevou o tom ao sugerir que o pontífice “gosta de crime”, além de acusá-lo de apoiar armas nucleares e classificá-lo como “uma pessoa muito liberal”. Também afirmou que Leão estaria tentando “agradar a esquerda radical” e recomendou que ele se concentrasse em “ser um grande Papa, não um político”. Ao desembarcar do Air Force One, Trump reforçou as críticas e disse a jornalistas que não considera que o líder católico esteja fazendo um bom trabalho.

A reação do presidente ocorre após uma semana em que o Papa endureceu o discurso contra a guerra. Durante uma homilia antes da Páscoa, afirmou que a missão cristã havia sido “distorcida por um desejo de dominação, totalmente estranho ao caminho de Jesus Cristo”. Já no domingo de Páscoa, diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, fez novo apelo. “Neste dia de celebração, abandonemos todo desejo de conflito, dominação e poder, e peçamos ao Senhor que conceda sua paz a um mundo devastado por guerras”, disse.

Trump ainda publicou uma ilustração vestido com traje religioso

Em resposta a ameaças recentes de Trump de destruir a civilização iraniana caso Teerã não cedesse em pontos estratégicos, o pontífice classificou a declaração como “verdadeiramente inaceitável” e contrária ao direito internacional. “É um sinal do ódio, da divisão e da destruição de que os seres humanos são capazes. Todos queremos trabalhar pela paz”, reforçou.

O embate expõe estilos opostos de atuação. Enquanto Leão XIV insiste na mediação e na redução de tensões, Trump tem adotado uma postura mais agressiva e direta. Nos primeiros meses de pontificado, o Papa evitou críticas frontais ao presidente, mas passou a se posicionar com mais firmeza à medida que o conflito avançou e autoridades americanas recorreram a argumentos teológicos para justificar a ofensiva militar sem autorização do Congresso, apoio popular ou adesão de aliados.

Após os ataques públicos, lideranças católicas saíram em defesa do pontífice. “Lamento que o presidente tenha escolhido escrever palavras tão depreciativas sobre o Santo Padre. O Papa Leão não é seu rival, nem um político. Ele é o Vigário de Cristo”, disse o arcebispo Paul S. Coakley. “Duvido que o Papa perca o sono com isso. Mas nós deveríamos. Isso é descontrolado, sem caridade e não cristão”, defendeu o padre jesuíta James Martin.

Durante participação no programa “60 Minutes”, o cardeal Robert McElroy reforçou o apoio às críticas do Papa. “É um regime abominável e deve ser removido (em referência ao governo iraniano). Mas esta é uma guerra de escolha e estamos diante da possibilidade de guerra após guerra”, disse.

A crise também reforça sinais de que o pontífice, nascido Robert Francis Prevost, não pretende evitar confrontos quando considerar necessário. Segundo seu irmão, John Prevost, o Papa já demonstrava insatisfação com políticas do governo americano, especialmente na área migratória. “Sei que ele não está satisfeito com o que acontece na imigração. Até onde vai levar isso é incerto, mas ele não ficará calado”, declarou.

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