No mês em que se completam 50 anos da morte de Zuzu Angel, Salvador recebe a estreia do espetáculo “Eu, Zuzu Angel, agora milito”, em cartaz de 15 a 26 de abril no Teatro Martim Gonçalves, no Canela. A montagem resgata a trajetória da estilista mineira que transformou a moda em instrumento de denúncia contra a ditadura militar brasileira, especialmente após o assassinato de seu filho Stuart Angel, em 1971.
Com direção e dramaturgia de Sophia Colleti, que também integra o elenco, a peça costura elementos biográficos, ficcionais e documentais para revisitar a vida da artista, marcada por reconhecimento internacional, engajamento político e perseguição. Zuzu denunciou por anos o desaparecimento e a morte do filho, até também ser assassinada em 1976, em um atentado disfarçado de acidente de carro, crime reconhecido oficialmente apenas duas décadas depois.
No palco, Vivianne Laert interpreta Zuzu Angel, ao lado de Mano Leone, que vive Stuart e outros personagens masculinos, e da própria Sophia Colleti, que assume papéis femininos diversos. A encenação aposta em projeções de vídeo, iluminação e trilha sonora para construir diferentes atmosferas narrativas e destacar momentos emblemáticos da trajetória da estilista, incluindo o período em que viveu em Salvador, onde nasceu seu filho.
Um dos episódios marcantes retratados é o desfile-protesto realizado por Zuzu em Nova York, no mesmo ano da morte de Stuart, quando substituiu estampas alegres por símbolos que denunciavam a repressão militar, como pássaros em gaiolas, tanques e aviões. A estética política da estilista, aliada à defesa de uma identidade brasileira e da liberdade feminina, ganha releitura cênica na montagem.
O espetáculo tem origem em um processo iniciado em 2017 na Universidade Federal da Bahia, passando por diferentes formatos até chegar à versão atual, reescrita para a estreia. Durante a pandemia, a obra teve leitura online com participação da jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu. O novo texto também será publicado em livro pela Alameda Editorial ainda em abril.
A temporada inclui sessões às quintas e sextas, às 19h, sábados às 16h e 19h, e domingos às 16h. Os ingressos podem ser adquiridos pela Sympla ou na bilheteria do teatro, com valores entre R$ 15 e R$ 50, além de descontos. Haverá ainda sessões mediadas gratuitas, com recursos de acessibilidade como Libras e audiodescrição, voltadas a estudantes da rede pública e pessoas com deficiência, seguidas de debates sobre memória e democracia.
O projeto foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos da Fundação Gregório de Mattos e da Prefeitura de Salvador.