Chimpanzés entram em ‘guerra civil’ e surpreendem cientistas

Chimpanzés entram em ‘guerra civil’ e surpreendem cientistas

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução/ ScienceAlert External Sources

Publicado em 10/04/2026 às 16:53 / Leia em 3 minutos

Um fenômeno incomum observado entre chimpanzés em Uganda tem mobilizado a comunidade científica e levantado novas questões sobre o comportamento social da espécie. No Parque Nacional de Kibale, cerca de 200 indivíduos passaram a protagonizar um conflito interno após a fragmentação de um grupo que, por décadas, era considerado coeso.

O caso envolve chimpanzés da espécie Pan troglodytes e foi documentado por pesquisadores da Universidade do Texas, com resultados publicados na revista Science. Segundo os cientistas, o episódio vem sendo descrito como uma espécie de “guerra civil”, devido à intensidade e à organização dos confrontos.

Monitorados há cerca de 30 anos, os animais começaram a apresentar sinais de divisão ao longo do tempo, com a formação de subgrupos dentro da comunidade. Por volta de 2015, ocorreu uma separação mais evidente, embora ainda houvesse interação entre os grupos. A ruptura definitiva foi registrada em 2018, quando cessaram os contatos e tiveram início episódios de agressão.

Desde então, os chimpanzés passaram a ocupar territórios distintos, identificados como regiões central e ocidental, e deixaram de manter vínculos sociais. A partir dessa divisão, os confrontos se intensificaram, com ataques coordenados entre os grupos.

“Depois que se dividiram em dois grupos, os chimpanzés de um grupo começaram a atacar e matar os do outro, o que se transformou em um período de violência letal crescente”, afirmou Aaron Sandel, autor do estudo, em declaração à Live Science.

De acordo com os pesquisadores, as investidas duram, em média, 15 minutos e envolvem comportamentos agressivos como mordidas, socos e chutes. A participação é predominante de machos adultos, embora fêmeas também sejam registradas em alguns episódios. “Machos adultos participam principalmente, mas às vezes fêmeas também se juntam aos ataques”, relatou Sandel.

Embora existam registros de chimpanzés atacando grupos vizinhos ou desconhecidos, o que diferencia esse caso é o fato de a violência ocorrer entre indivíduos que antes conviviam de forma pacífica.

As causas do conflito ainda não foram totalmente esclarecidas. Entre as hipóteses consideradas pelos cientistas estão a competição por alimento, disputas por acasalamento e impactos de doenças que teriam alterado a dinâmica do grupo.

Até 2024, foram contabilizadas 24 mortes associadas aos confrontos. Em 2025, ao menos quatro novos casos foram registrados, indicando que o conflito permanece ativo e pode ter provocado outras mortes não documentadas.

Apesar do uso do termo “guerra civil” para descrever a situação, especialistas ressaltam que comparações diretas com conflitos humanos devem ser feitas com cautela. Eles destacam que, embora esse grupo apresente comportamento violento, outras populações da mesma espécie mantêm estruturas sociais estáveis e pacíficas.

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