A Petrobras mantém negociações com o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, para a recompra da refinaria de Mataripe, na Bahia, mas o avanço do processo ainda esbarra em divergências sobre o valor do ativo. A informação foi atualizada nesta quarta-feira (8) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que reforçou o caráter estritamente comercial da possível operação.
Segundo o ministro, as tratativas ocorrem há cerca de dois anos e meio e seguem os parâmetros de governança da estatal, sem interferência direta do governo federal. “As pessoas muitas vezes acham que o governo vai decidir comprar. Não é isso. A Petrobras é uma empresa listada na Bolsa do Nova York, tem seus acionistas, que têm que ser respeitados. E a gente respeita a sua governança. Então, é uma negociação comercial. Ela só vai recomprar se o preço for interessante”, afirmou.
A refinaria, atualmente operada pela Acelen, empresa controlada pelo Mubadala, foi vendida em dezembro de 2021, durante a política de desinvestimentos da Petrobras. Conhecida historicamente como Landulpho Alves, a unidade em São Francisco do Conde foi a primeira refinaria de petróleo do país, inaugurada em 1950, antes mesmo da criação da estatal.
Apesar das declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a defender a recompra do ativo, o governo sinaliza que a decisão final dependerá de viabilidade econômica. “Eles venderam a refinaria na Bahia. Nós vamos comprar de novo. Pode demorar um pouquinho, mas vamos recomprar”, disse Lula, em março.
A fala do presidente ocorreu durante evento sobre a retomada de investimentos na refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), e reforçou a estratégia do governo de reavaliar ativos considerados estratégicos para o sistema de refino nacional. Ainda assim, a negociação em torno de Mataripe segue condicionada às condições de mercado e ao entendimento entre as partes.