Pelourinho ganha novo espaço cultural em antigo prédio do “Rapa” após 5 anos de obras

Pelourinho ganha novo espaço cultural em antigo prédio do “Rapa” após 5 anos de obras

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação/Pé de Cobra

Publicado em 09/04/2026 às 09:27 / Leia em 3 minutos

O Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, ganhará já na próxima semana um novo espaço cultural instalado em um imóvel que, por décadas, teve uso ligado ao controle urbano. Localizado na Rua do Bispo, nº 35, próximo à Igreja de São Francisco, o prédio passa a abrigar o Pé de Cobra, iniciativa voltada à reflexão, produção e experimentação em artes visuais, com ênfase na fotografia contemporânea.

Após cinco anos de obras, o espaço inaugura nos próximos dias sua programação com a primeira exposição e propõe ressignificar um endereço marcado por memórias de fiscalização. Embora tenha origem provável no período colonial, o imóvel foi utilizado entre as décadas de 1960 e 1990 como ponto de controle do comércio formal e informal, estrutura popularmente conhecida como “Rapa”, que incluía celas e práticas de detenção temporária.

Pé de Cobra/Divulgação

“O imóvel abrigou, em sua rotina, formas de detenção temporária e exercício direto de autoridade, memórias que permanecem vivas nos testemunhos de quem vivenciou o Centro Histórico naquele período”, conta Bruno Morais, um dos responsáveis pelo projeto. Formado pela Escola de Fotógrafos Populares da Maré, ele desenvolve um trabalho que articula documentação, poesia e temas ligados aos direitos humanos.

O Pé de Cobra também reúne nomes de destaque no campo da imagem, como a fotógrafa espanhola Cristina De Middel, integrante da Magnum Photos e ex-presidente da organização, com trajetória que transita entre o fotojornalismo e a investigação conceitual sobre verdade e fotografia, e a argentina Julieta Lopresto, especializada na gestão de arquivos fotográficos e audiovisuais e na construção de memória coletiva na América do Sul.

Imagem antecipa ambiente interno de novo espaço cultural

Mais do que um espaço expositivo, o projeto nasce com a proposta de ser um ambiente de convivência e elaboração de ideias, onde prática e reflexão caminham juntas. Em meio ao ritmo intenso do Centro Histórico, o edifício se apresenta como um lugar de pausa, voltado à escuta, ao diálogo e ao ensaio.

A programação será guiada por um conceito anual. Em 2026, o eixo escolhido é “Esquina”, entendido como ponto de encontro, desvio e decisão, ideia que deve atravessar exposições, encontros e demais atividades, promovendo conexões entre artistas, pesquisadores e público.

Vista aérea do imóvel

O espaço contará ainda com diferentes ambientes dedicados à experimentação e ao estudo, incluindo sala multidisciplinar para exposições e conferências, biblioteca com mais de 1.500 volumes especializados e um laboratório de fotografia em preto e branco, aberto ao público mediante agendamento.

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