Mounjaro bate recorde de importação; Ozempic perde fôlego após queda da patente

Mounjaro bate recorde de importação; Ozempic perde fôlego após queda da patente

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 09/04/2026 às 18:36 / Leia em 4 minutos

As importações de medicamentos à base de polipeptídeos no Brasil registraram mudanças relevantes em março, indicando uma nova dinâmica no mercado de tratamentos como os utilizados para diabetes e controle de peso. Levantamento de analistas do Citi aponta que produtos associados ao Mounjaro, da Eli Lilly, atingiram volume recorde no período, enquanto itens ligados ao Ozempic e ao Wegovy, da Novo Nordisk, ficaram bem abaixo de seus picos históricos.

Como não há uma base consolidada específica para esses medicamentos, o monitoramento é feito a partir do comércio de substâncias “à base de polipeptídeos”. Entre os principais compostos estão a tirzepatida, presente no Mounjaro, e a semaglutida, utilizada no Ozempic e no Wegovy. A origem das importações ajuda a indicar qual substância está sendo adquirida: produtos vindos dos Estados Unidos ou da Alemanha tendem a estar ligados à tirzepatida, enquanto os provenientes da Dinamarca indicam semaglutida.

De acordo com os dados analisados, as compras de peptídeos oriundos dos EUA e da Alemanha somaram US$ 350 milhões em março, mais que o dobro do registrado em fevereiro e o maior valor da série histórica acompanhada pelo Citi. Já as importações vindas da Dinamarca totalizaram US$ 27 milhões, bem abaixo do recorde de US$ 129 milhões observado em julho de 2024.

O avanço das importações também ocorre em paralelo ao crescimento de um mercado irregular. Na segunda-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Polícia Federal deflagraram a Operação Heavy Pen, que investigou farmácias de manipulação em 12 estados. A ação resultou na apreensão de 3,5 quilos de tirzepatida, quantidade suficiente para produzir mais de 1 milhão de canetas injetáveis, além de movimentações financeiras estimadas em R$ 4,8 milhões.

A operação também identificou outras substâncias, como a retatrutida e compostos semelhantes ao glucagon ainda em fase de estudos clínicos e sem registro em agências reguladoras. Parte desse material foi localizada em Goiás e vinculada a empresas de São Paulo.

Os dados reforçam a percepção de que o mercado brasileiro desses medicamentos caminha em duas frentes. De um lado, a tirzepatida avança no segmento de maior valor agregado. De outro, a semaglutida tende a ganhar escala com a queda de preços após a perda de patente no país, ocorrida em 20 de março.

Com isso, mais de dez pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida aguardam análise da Anvisa. A farmacêutica EMS aparece entre as empresas mais avançadas nesse processo, com expectativa de comercializar versões com preços entre R$ 500 e R$ 600 por caneta, abaixo dos valores atualmente praticados pelo Ozempic.

Projeções do mercado indicam expansão significativa do setor. O BTG Pactual estima que a entrada de genéricos e similares pode acrescentar R$ 3,6 bilhões ao segmento ainda em 2026, enquanto a consultoria L.E.K. avalia que os custos da semaglutida podem cair até 70% com o aumento da concorrência.

A diferença entre oferta limitada e alta demanda ajuda a explicar o crescimento do mercado informal. Além disso, a disparidade de preços em relação a países vizinhos incentiva a compra fora do Brasil. Segundo estimativas do UBS, uma dose de Mounjaro de 2,5 mg pode custar cerca de R$ 294 no Paraguai, enquanto no mercado brasileiro supera R$ 1.400.

Durante a operação, as autoridades também encontraram mais de 17 mil frascos manipulados de forma irregular, além de insumos farmacêuticos e medicamentos como propofol e fentanil em locais investigados, incluindo um consultório odontológico que funcionava dentro de uma academia no Pará.

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