A Petrobras decidiu encerrar de forma antecipada o mandato do diretor de logística e comercialização, Claudio Schlosser, após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um leilão de gás de cozinha realizado pela estatal. A decisão foi tomada pelo conselho de administração na segunda-feira (6), em meio a um cenário de pressão sobre os preços dos combustíveis, influenciados pela guerra no Oriente Médio.
A saída ocorre após o leilão de GLP (gás liquefeito de petróleo), realizado na semana passada, oferecer o produto a valores acima da tabela da companhia, segundo o Valor Econômico. Dois dias depois, durante agenda na Bahia, Lula afirmou que iria anular o certame, alegando que ele havia sido feito “contra a vontade” do governo. Nos bastidores, o episódio agravou o desgaste de Schlosser, que já vinha sendo questionado por integrantes da gestão federal.
A diretoria ocupada pelo executivo é estratégica dentro da Petrobras, responsável por decisões que impactam diretamente os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Apesar das críticas, fontes ouvidas pelo mercado avaliam que Schlosser atuava alinhado aos interesses da companhia e que a decisão de realizar o leilão seguiu práticas já adotadas em outros produtos.
O modelo utilizado pela estatal reduz parte do volume vendido às distribuidoras pelo chamado preço de refinaria e oferta esse excedente em leilões com valores mais próximos do mercado internacional. No caso recente, segundo Lula, o ágio chegou a cerca de 100% sobre o preço de referência, hoje em R$ 34,73 para o equivalente a um botijão de 13 quilos.
Especialistas apontam que, apesar de haver oferta internacional de GLP, especialmente no Golfo do México, custos logísticos e operacionais influenciam o preço final no Brasil, que ainda depende de importações para cerca de 25% a 30% do consumo, proporção semelhante à do diesel.
A mudança no comando ocorre também em meio a uma reconfiguração mais ampla na governança da estatal. O conselho elegeu Marcelo Weick como presidente interino do colegiado até a assembleia geral marcada para 16 de abril, quando haverá nova eleição para todas as cadeiras. Nos bastidores, o nome do economista Guilherme Mello, atualmente no Ministério da Fazenda, é cotado para assumir a presidência do conselho.
Schlosser estava no cargo desde 2023, indicado na gestão do ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. Durante sua passagem, participou da implementação da atual política de preços da companhia, que busca reduzir a influência direta das cotações internacionais e priorizar condições competitivas no mercado interno. Também esteve à frente da ampliação das exportações de petróleo, que atingiram recordes em 2025, e da estratégia de vendas diretas de combustíveis a grandes consumidores.