Iranianos cercam pontes e centrais elétricas em correntes humanas após ameaças dos EUA

Iranianos cercam pontes e centrais elétricas em correntes humanas após ameaças dos EUA

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Mehr News Agency

Publicado em 07/04/2026 às 19:04 / Leia em 4 minutos

Horas antes do prazo final de um ultimato imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestantes iranianos formaram correntes humanas ao redor de pontes e usinas elétricas em diferentes regiões do Irã nesta terça-feira (7). A mobilização ocorre em meio à ameaça de bombardeios contra infraestruturas civis caso não haja um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz até as 21h (horário de Brasília).

Registros em fotos e vídeos divulgados por agências iranianas mostram grupos concentrados em pontos estratégicos do país, embora ainda não esteja claro se os atos são espontâneos ou organizados pelo governo, que tem promovido manifestações de apoio à resistência nacional enquanto reprime dissidências internas. Em várias imagens, manifestantes exibem bandeiras do país e cartazes do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia de guerra após um bombardeio.

Na cidade de Kermanshah, no oeste iraniano, uma faixa carregada por manifestantes em frente a uma usina elétrica lembrava que “ataques à infraestrutura elétrica são considerados crimes de guerra”. Especialistas em direito internacional têm alertado que ações como as ameaçadas por Trump podem configurar violações graves, posição compartilhada por lideranças de aliados históricos dos Estados Unidos, incluindo países da União Europeia, que manifestaram oposição a ataques contra instalações civis.

Foto: Mehr News Agency

No norte do país, em Semnan, manifestantes entoavam palavras de ordem como “Morte à América. Morte a Israel”, segundo vídeos divulgados pelo jornal reformista Shargh. Já no sul, na cidade de Ahvaz, houve mobilização na ponte White Bridge. As tensões aumentaram após Israel anunciar a destruição de oito pontes no território iraniano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que alvos ligados à Guarda Revolucionária foram atingidos e prometeu intensificar os ataques.

Trump voltou a endurecer o tom nesta terça-feira, um dia depois de afirmar que o Irã poderia ser destruído “em uma única noite”. Em publicação na rede Truth Social, declarou que “uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada”, caso não haja acordo.

As negociações seguem mediadas pelo Paquistão e outros aliados regionais, que propuseram um cessar-fogo de 45 dias. O Irã apresentou um plano de dez pontos para encerrar o conflito, segundo a mídia estatal, mas autoridades indicam que divergências centrais dificultam um consenso dentro do prazo. O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, afirmou que as conversas chegaram a “uma etapa crítica”.

O impacto humanitário da guerra segue em escalada. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) estima mais de 3,5 mil mortos no Irã, incluindo ao menos 1.665 civis, enquanto o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários aponta cerca de 2,1 mil civis mortos. Em relatório recente, a ONU alertou que os ataques a infraestruturas críticas têm interrompido serviços essenciais como eletricidade, água e telecomunicações, elevando riscos ambientais e sanitários.

O conflito também atinge países vizinhos. No Líbano, o Ministério da Saúde contabiliza 1.530 mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, em março, incluindo mulheres, crianças e profissionais de saúde, além de milhares de feridos.

Apesar do discurso oficial de mobilização nacional, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que mais de 14 milhões de cidadãos estariam “prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã”. Relatos de civis indicam sentimentos diversos, que vão da descrença ao medo diante da escalada do conflito.

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