“Era zero afeto”: Suzane von Richthofen relembra infância e fala sobre assassinato em doc exclusivo

“Era zero afeto”: Suzane von Richthofen relembra infância e fala sobre assassinato em doc exclusivo

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução via O Globo

Publicado em 06/04/2026 às 08:16 / Leia em 4 minutos

O documentário inédito “Suzane Vai Falar” traz à tona, mais de duas décadas após o crime que chocou o país, a versão de Suzane von Richthofen sobre o assassinato dos próprios pais. Com cerca de duas horas de duração, o longa teve uma pré-estreia restrita na Netflix e ainda não possui data oficial de lançamento para o público em geral.

Hoje com 42 anos e cumprindo pena em regime aberto, Suzane revisita o passado e reconstrói a história sob sua perspectiva. No relato, apresentado pelo jornal O Globo, ela descreve a infância como marcada por distanciamento emocional dentro de casa. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, afirmou. “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”, acrescenta.

Segundo Suzane, o ambiente familiar era atravessado por conflitos constantes. “O relacionamento dos meus pais era muito ruim”, disse. Ela relata ainda ter presenciado violência dentro de casa. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, relata.

A ausência de diálogo também aparece como marca do cotidiano. “Eu nunca conversei sobre sexo com a minha mãe. Nenhuma vez. Zero”, contou. “Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa”, acrescentou, ao explicar a relação próxima que mantinha com Andreas von Richthofen. “Era um refúgio nosso dentro de casa”.

Ao longo do depoimento, Suzane afirma que a relação familiar abriu espaço para o envolvimento com Daniel Cravinhos. “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Em outro momento, diz que “esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel”. “O Daniel passou a ocupar todos os espaços da minha vida”, declarou.

Ela também descreve a resistência dos pais ao relacionamento. “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, afirmou sobre a mãe. O conflito evoluiu para uma rotina de mentiras e confrontos. “Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel”, contou. “Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga”. Segundo Suzane, houve inclusive agressão física. “Ele me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”, diz.

O assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen ocorreu em 31 de outubro de 2002 e foi executado por Daniel e Cristian Cravinhos. No documentário, Suzane tenta se distanciar da execução direta. “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso”, disse. Ainda assim, reconhece sua responsabilidade: “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa”. E conclui: “A culpa é minha. Claro que é minha”.

Sobre a noite do crime, afirma que permaneceu no andar de baixo. “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, relatou, admitindo que sabia de tudo. Ela descreve seu estado emocional como dissociado. “Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento”. E reconhece que poderia dar um fim ao plano. “Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. O que eu fiz não tem mais volta”, declara.

Um dos poucos contrapontos no filme vem da delegada Cíntia Tucunduva, que relembra ter encontrado Suzane em uma festa dias após o crime. A versão é contestada pela própria entrevistada. “Não tinha a menor condição de fazer uma festa naquela casa. A casa estava com cheiro de sangue”.

Além do passado, o documentário também mostra a vida atual de Suzane, incluindo o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz e a convivência familiar. No desfecho, ela tenta marcar uma ruptura com a imagem associada ao crime. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, disse. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”.

Ainda assim, afirma que segue sendo reconhecida publicamente. “Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. ‘Olha, a Suzane’”, relatou. “Quantas fotos minhas, às vezes, no supermercado… a pessoa tirando foto”.

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