A Páscoa é sinônimo de mesa cheia e, tradicionalmente, de muito chocolate. Mas para quem possui restrições alimentares ou simplesmente busca manter o equilíbrio, o feriado não precisa ser um campo de batalha. O nutricionista baiano Daniel Cady, que também vivencia a rotina com os filhos Marcelo e as gêmeas Marina e Helena, defende que o segredo não está na restrição, mas nas boas escolhas e no afeto envolvido no preparo.
Em entrevista ao Alô Alô Bahia, ele detalhou como reeducar o paladar, lidar com a enxurrada de ovos pendurados nos mercados e garantir refeições mais leves para esse período.
Recentemente, um vídeo de Cady preparando um bolo de chocolate sem glúten gerou forte identificação nas redes sociais. Para ele, o preconceito de que comida inclusiva é sem graça acaba quando se muda a lógica da cozinha. “Em vez de pensar no que está sendo ‘retirado’, como o glúten ou o açúcar refinado, a gente precisa olhar para o que está sendo valorizado: ingredientes de verdade, mais nutritivos e cheios de sabor”, explica.
Segundo o nutricionista, o uso de bons insumos, como cacau de qualidade, farinhas naturais e castanhas, transforma qualquer prato na atração principal: “Quando você coloca na mesa um bolo bonito, bem feito e saboroso, ele deixa de ser ‘a opção para quem tem restrição’ e passa a ser uma sobremesa que todo mundo quer experimentar. A comida saudável precisa ser gostosa, generosa e inclusiva”.
Com a Bahia sendo referência nacional na produção de cacau, a data é uma oportunidade para valorizar o ingrediente local e fugir dos ultraprocessados lotados de aromatizantes. A transição, no entanto, exige paciência. Cady sugere uma mudança gradual: sair do chocolate muito açucarado para o 50% cacau, avançando para o 60% e 70% com o tempo.
Quando o assunto são as crianças e os presentes dados por familiares, a moderação e o diálogo ganham destaque. “A Páscoa é uma celebração afetiva e não precisa virar um campo de batalha alimentar dentro de casa”, pontua. A estratégia recomendada é fracionar o consumo e não deixar todo o chocolate disponível de uma vez só, combinando de comer aos poucos ao longo da semana.
O exemplo dentro de casa também dita a regra. “Quando a criança cresce num ambiente onde também existem frutas, comidas caseiras e refeições equilibradas, o doce deixa de ser algo proibido ou compulsivo”, afirma.
Para criar memórias e substituir os ovos tradicionais, a dica é levar os pequenos para a bancada da cozinha. Uma opção rápida é fazer brigadeiro usando leite de coco ou leite condensado caseiro, cacau em pó de boa qualidade e um pouco de mel ou açúcar de coco, finalizando com nibs. “Às vezes, o maior presente da Páscoa não é o doce em si, mas o momento de preparar juntos”, pondera.
Para além da sobremesa, o feriado prolongado pede atenção aos almoços de Sexta-feira Santa e domingo. O segredo para fugir da sensação de peso e letargia é a montagem do prato, priorizando preparações assadas, grelhadas ou regadas no azeite.
Como alternativa prática e naturalmente sem glúten, o nutricionista sugere um filé de peixe assado com crosta. E o preparo é simples, tá? Temperar o peixe com limão, azeite, alho e ervas frescas. Por cima, basta adicionar uma mistura de castanha-do-pará triturada com farinha de amêndoas e levar ao forno por cerca de 20 minutos, servindo com legumes.
“Fica saboroso, nutritivo e combina muito com o clima de Páscoa. No final das contas, o mais importante é lembrar que a comida também é um espaço de encontro, afeto e celebração”, finaliza.