Nova usina na Bahia coloca região como autossuficiente em etanol, reduzindo dependência dos EUA

Nova usina na Bahia coloca região como autossuficiente em etanol, reduzindo dependência dos EUA

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação/Inpasa

Publicado em 30/03/2026 às 09:54 / Leia em 3 minutos

A Inpasa iniciou na última sexta-feira (27) a produção de etanol em sua nova usina em Luís Eduardo Magalhães, marcando a entrada efetiva da Bahia no mapa da produção em larga escala do biocombustível e reforçando o protagonismo do Nordeste no setor. Com a nova planta em operação, o estado passa a produzir etanol em volume relevante, em um movimento que pode transformar o equilíbrio de oferta na região.

A unidade baiana tem capacidade para produzir 470 milhões de litros por ano e, somada à usina da empresa em Balsas, no Maranhão, que produz 950 milhões de litros anuais, eleva a capacidade total da Inpasa no Nordeste para cerca de 1,3 bilhão de litros por ano. O volume supera com folga a quantidade de etanol importada anualmente pela região, especialmente dos Estados Unidos, e abre espaço para reduzir a dependência externa e estimular o consumo local do biocombustível.

Em 2025, o Brasil importou 320 milhões de litros de etanol, sendo 75 milhões destinados ao Nordeste, número inferior à nova oferta regional da companhia. A avaliação da empresa é de que a produção local será suficiente para atender à demanda.

“Já conseguimos evitar a importação. O Nordeste agora passa a ter volume de etanol suficiente pra suprir toda a região”, disse Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa, ao Valor Econômico. “Chegamos ao Nordeste com o papel de substituir o suprimento feito pela importação do etanol americano. A região era deficitária. Tem uma indústria tradicional, centenária, mas com uma produção aquém do consumo total”, afirmou.

A nova usina na Bahia recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para operar. Segundo a Inpasa, o início da produção no estado também contribui para consolidar a empresa como a segunda maior produtora de etanol do mundo, atrás da americana POET.

Além de reduzir a necessidade de importação, a nova oferta tende a impactar o fluxo interno do combustível no país, diminuindo as vendas de etanol de cana produzidas no Centro-Sul e transportadas para o Nordeste por cabotagem.

A produção na Bahia será sustentada principalmente pelo milho e pelo sorgo cultivados no Matopiba, região que engloba áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, além do uso de biomassas disponíveis nas regiões próximas, como caroço de açaí, resíduos de eucalipto e braquiárias, reforçando a integração entre agricultura e energia na nova fronteira agrícola do país.

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