Colégios tradicionais resistem ao tempo em 477 anos de história de Salvador

Colégios tradicionais resistem ao tempo em 477 anos de história de Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 28/03/2026 às 09:30 / Leia em 9 minutos

A história da educação em Salvador começou alguns anos após a fundação da cidade. O primeiro deles foi o Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus – onde hoje funciona a Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). O local, fundado em 1553, foi o responsável pela formação religiosa e social da época.

Além do ensino religioso, a instituição ensinava o básico da educação formal, como ler e a escrever. Por lá, passaram de lideranças religiosas importantes em Salvador, como o Padre Antônio Vieira. O ensino jesuíta foi embrião de outras escolas na capital baiana, e a força da religião católica também estimulou a surgirem outros colégios nos séculos seguintes.

O Alô Alô Bahia fez uma lista com alguns colégios que marcam a educação na cidade há mais de 100 anos e acompanharam, ao longo do século, a mudança social – como a entrada de mulheres nas escolas – para continuarem levando o ensino à sociedade. Alguns têm, até hoje, prédios imponentes com estilo clássico que nos lembram a tradição que resistiu ao tempo e à modernidade na educação.

Conheça os colégios centenários que ainda estão em funcionamento em Salvador:

Colégio Nossa Senhora da Soledade (1739)

Atual Colégio Nossa Senhora da Soledade. Foto: Divulgação

Um dos mais antigos colégios surgiu com a fundação da Casa Nossa Senhora da Soledade, pelo padre Gabriel Malagrida, missionário jesuíta. Inicialmente, o local era um “recolhimento” para moças que queriam seguir a vida religiosa, e foi anexado à capela de Nossa Senhora da Soledade, no sítio do Queimado, que ficava afastado da cidade.

A Casa foi dirigida pelas sucessivas superioras Ursulinas a partir de 1901. Inicialmente, com o curso primário (1896); posteriormente com o internato, até a década de 1960. Em 1909, foi criada a classe “Santa Ângela”, mais tarde “Escola Santa Ângela”, gratuita para crianças carentes, que existiu durante 65 anos.

Em 1928, foi criado o Curso Fundamental; em 1931, o de Magistério; em 1938, o Ginasial e de 1959-1972 funcionou uma Escola Doméstica para atender as alunas carentes. Em 1942, obteve o reconhecimento federal dos 1º e 2º graus com habilitação para o magistério.

Parte interna do Colégio Nossa Senhora da Soledade. Foto: Divulgação

A escola vivenciou um dos momentos marcantes da Independência do Brasil na Bahia, pois as tropas que lutaram pelo movimento passaram pela frente do convento e foram homenageadas pelas irmãs ursulinas.

Instituto Central de Educação Isaías Alves (1836)

Antiga sede do Iceia. Foto: Acervo da Secretaria de Educação da Bahia

É a escola mais antiga da rede estadual de educação. A Lei 37, de 14 de abril de 1836, criou a Escola Normal no Estado. O curso passou a funcionar no Distrito da Sé, no antigo Teatro São João, e depois teve outra sede, no bairro de Nazaré. Em 1939, houve a mudança para o Barbalho, onde funciona até hoje. Foi lá que Irmã Dulce foi diplomada como professora, ainda na Escola Normal da Bahia. Desde 1968, funciona como Instituto Central de Educação Isaías Alves (Iceia).

A escola teve também um dos mais importantes teatros da cidade. Erguido entre 1937 e 1939, o local tinha capacidade original para 1.300 pessoas e foi o principal palco até a inauguração do Teatro Castro Alves, em 1967. Já recebeu nomes como Elis Regina e o Grupo de Teatro Cacilda Becker.

Atual fachada do Iceia, no Barbalho. Foto: Reprodução/Google Street View

Atualmente oferece o Ensino Médio, Curso Normal (antigo magistério), Curso de Técnico em Informática e o Curso do Ensino Médio – Jovens e Adultos III (EJA III).

Colégio Estadual da Bahia Central (1837)

Prédio onde funcionou o Liceu Provincial da Bahia, primeira denominação do Colégio. Antigo Convento dos Frades Agostinianos. Foto: Reprodução/Biblioteca Virtual Consuelo Pondé

Também parte da rede estadual de educação, o colégio entrou em funcionamento desde 1837, no antigo Convento de Nossa Senhora da Palma. O colégio nasceu como Liceu Provincial da Bahia, reunindo 323 alunos em apenas quatro salas e três salões. O Liceu surgiu com a missão de organizar e centralizar o ensino secundário, antes disperso nas chamadas “aulas maiores e menores”.

No século XIX, enfrentou crises e quase fechou, mas conseguiu se reestruturar no período da República, quando passou a se chamar Ginásio da Bahia, quando também foi construído o primeiro pavilhão onde atualmente funciona o colégio, na Avenida Joana Angélica. Em 1942, após a Reforma Capanema, ganhou o nome atual de Colégio Estadual da Bahia Central. Entre os nomes marcantes que estudaram no local, o cineasta Glauber Rocha e o cantor Raul Seixas.

Atual Colégio Estadual da Bahia Central. Foto: Elisabeth Guerra

Instituto Nossa Senhora do Salette (1858)

O colégio foi fundado com o objetivo de ajudar aos carentes. O nome foi inspirado nas aparições de Nossa Senhora na França, em La Salette. O colégio foi uma das primeiras edificações institucionais na região da atual Rua do Salette, próximo à Praça Piedade.

Com a chegada das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a instituição se modernizou e cresceu. Em 1958, com a Irmã Rocha tornou-se instituto, e passou a ter o curso de magistério. A instituição de ensino vicentina atualmente oferece educação da infantil ao médio.

Instituto Nossa Senhora da Salette. Reprodução

Liceu Salesiano do Salvador (1900)

Liceu Salesiano, no bairro de Nazaré. Foto: Reprodução/Salesianos Bahia

A história do colégio começa em 1897, com a chegada do padre salesiano Lourenço Giordano a Salvador. Ele veio à cidade para falar com arcebispo sobre a nova fundação. No mesmo ano, escolhe o terreno em Nazaré para implantar a escola.

Em 11 de março de 1900, é inaugurado o Liceu Salesiano do Salvador. A primeira turma do Salesiano na Bahia foi composta por seis órfãos da Guerra de Canudos. Em 1906, foi entregue o novo prédio do Liceu, na localização atual, com bênção da Capela e da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora.

Foto atual do Liceu Salesiano, no bairro de Nazaré. Foto: Reprodução/Salesianos Bahia

O centenário iniciou as atividades com escolas profissionais e atendia às comunidades mais carentes. Em 1910, expandiu sua atuação com a implementação do ensino fundamental anos finais. Em 2005, ampliou as atividades com a inauguração do Salesiano Dom Bosco, na Avenida Paralela.

Colégio Bom Pastor (1901 – antiga Escola Santa Maria Eufrásia)

Antiga Escola Santa Maria Eufrásia. Foto: Divulgação

Fundada pelo Instituto Bom Pastor em 16 de julho de 1901, o colégio se chamava inicialmente Escola Santa Maria Eufrásia. Ela foi instalada inicialmente no Convento da Lapa. A escola foi transferida para Brotas, em 1957, onde funciona até hoje, na Rua Waldemar Falcão.

A instituição era dedicada à educação integral e assistência social para jovens carentes. Antes de ser escola, o Instituto mantinha um orfanato, uma fábrica de macarrão e uma padaria para apoiar suas obras socioassistenciais. Nos anos 1970, a Congregação das Irmãs do Bom Pastor decidiu criar a escola, com orientação dos padres ligados à instituição.

Atual Colégio Bom Pastor. Foto: Divulgação

A Escola Santa Maria Eufrásia foi estabelecida como uma instituição escolar inicialmente voltada para a Educação Infantil e ao longo dos anos, expandiu os ciclos escolares e, em 2001, implantou o ensino médio.

Colégio São Bento (1905)

O colégio foi fundado em 1905 pelo Mosteiro de São Bento da Bahia, a primeira fundação beneditina nas Américas. A escola foi fundada com a finalidade de fomentar e aprofundar o ensino religioso, além de se dedicar à formação moral e intelectual dos seus estudantes. Atualmente, o colégio tem educação infantil e ensinos fundamental e médio.

Fachada atual do Colégio São Bento. Foto: Reprodução/Google Street View

Colégio Antônio Vieira (1911)

Fachada antiga do Colégio Antônio Vieira, na Rua do Sodré. Foto: Reprodução/Colégio Antônio Vieira

O Colégio Antônio Vieira foi fundado pela Companhia de Jesus em 15 de março de 1911, e foi batizado como uma homenagem ao líder religioso que se destacou por seus sermões católicos. Ex-aluno do Colégio dos Jesuítas, que funcionava no Terreiro de Jesus, ao se tornar padre, Vieira usava sua voz para defender indígenas e outras minorias.

A escola foi implantada inicialmente na Rua do Sodré, no bairro Dois de Julho. Somente em 1926, a instituição comprou um terreno na antiga Fazenda Garcia para um prédio melhor, que comportaria as atividades acadêmicas. A pedra fundamental do novo prédio foi lançada em 1930.

Inicialmente masculino, a escola só passou a aceitar a matrícula de mulheres em 1968 e apenas no terceiro ano do colegial. Somente no ano de 1973, meninas passaram a ser aceitas na educação infantil e o colégio tornou-se misto. Grandes nomes passaram pela escola, como Jorge Amado, Mário Cravo, Bel Borba, Anísio Teixeira e Armandinho.

Atual Colégio Antônio Vieira, no Garcia. Foto: Divulgação

 

O especial Salvador 477 anos do Alô Alô Bahia é oferecido pela Moura Dubeux e Guanabara e conta com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

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