Uma pesquisa inédita sobre a percepção dos moradores de Salvador aponta sinais de melhora na qualidade de vida da capital baiana, embora ainda revele desafios importantes. O levantamento “Viver em Salvador: Qualidade de Vida 2026”, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, foi divulgado nesta sexta-feira (27) e mostra que 43% dos entrevistados avaliam que a qualidade de vida na cidade “melhorou muito” ou “melhorou um pouco” no último ano. Outros 34% consideram que o cenário permaneceu estável, indicando uma percepção majoritariamente positiva ou de manutenção das condições recentes.
Quando questionados sobre quais políticas públicas poderiam melhorar a vida na cidade, os moradores destacam prioridades claras: 42% apontam o fortalecimento da segurança nos bairros como principal medida, seguido por programas de geração de emprego e renda e formação profissional (17%) e melhorias na atenção básica de saúde (13%). Os dados ajudam a traçar um mapa das demandas mais urgentes da população.
A pesquisa também revela aspectos de engajamento cívico e memória política. Entre os entrevistados, 42% dizem lembrar em quem votaram para vereador nas eleições municipais de 2024, enquanto 38% não se recordam e 20% afirmam que não votaram. Além disso, 35% demonstram “alguma” ou “muita vontade” de participar mais ativamente da vida política da cidade, ainda que a maioria, 63%, diga não ter interesse nesse envolvimento.
Apesar dos sinais de melhora percebida por parte da população, o estudo evidencia pontos de atenção relevantes. A segurança pública aparece como o principal problema da cidade para 59% dos moradores, muito à frente de outras preocupações como emprego e renda (15%) e saúde (9%).
A insatisfação também se reflete na avaliação das instituições: a atuação da Câmara de Vereadores é considerada “ruim” ou “péssima” por 47% dos entrevistados, um aumento de nove pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Em meio a esse cenário, 65% dos moradores afirmam que deixariam Salvador se pudessem, indicando que, apesar dos avanços percebidos, há um sentimento significativo de insatisfação com aspectos estruturais da cidade.
A pesquisa ouviu 300 pessoas com 16 anos ou mais, moradoras da capital há pelo menos dois anos e com acesso à internet. O trabalho de campo foi realizado entre 1º e 27 de dezembro de 2025, com nível de confiança de 95% e margem de erro de seis pontos percentuais. O estudo tem cofinanciamento da União Europeia e integra um programa voltado ao fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.