A criação da Sala Maestro Luciano Calazans, dedicada à música como ferramenta de reabilitação e inclusão, marca o novo capítulo do Núcleo de Atendimento à Criança com Paralisia Cerebral (NACPC), que completa 25 anos de atuação em Salvador em 2026. A campanha, que segue até 30 de abril, mobiliza a sociedade para viabilizar o espaço e reforça o papel da instituição como referência no cuidado integral a pessoas com deficiência.
A proposta da Sala Maestro Luciano Calazans aposta na música como estratégia transversal de cuidado. Estudos em áreas como neurociência e psicologia do desenvolvimento apontam que a experiência musical ativa múltiplas regiões do cérebro, favorecendo a neuroplasticidade e contribuindo para avanços motores, cognitivos e emocionais. No NACPC, a música será integrada às práticas terapêuticas e educativas, estimulando comunicação, atenção, coordenação motora, vínculo social e expressão individual, especialmente entre crianças e jovens com deficiência.
A campanha convida a população a doar instrumentos musicais ou contribuir financeiramente via PIX, ampliando as possibilidades de atendimento e inovação da instituição. Ao mesmo tempo em que celebra sua história de impacto social, o NACPC projeta o futuro com uma iniciativa que reforça a importância de abordagens sensíveis e integradas no processo de reabilitação.
Apesar dos avanços, a instituição ainda enfrenta desafios para manter e ampliar sua estrutura. O refeitório, por exemplo, consome cerca de R$ 20 mil mensais apenas com proteínas, o que torna essencial a doação contínua de alimentos e recursos. A sustentabilidade das ações depende diretamente do engajamento da sociedade, especialmente em projetos como a Sala Maestro Luciano Calazans, que buscam expandir o alcance e a qualidade dos atendimentos.
Fundado em 2001, o NACPC atende atualmente cerca de 700 crianças, jovens e adultos, com mais de 13 mil atendimentos especializados por mês, integrando saúde, educação inclusiva e promoção social em um modelo inter e transdisciplinar. A estrutura inclui desde terapias como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional até tecnologias assistivas, apoio às famílias e espaços adaptados que estimulam autonomia e participação social. O cuidado se estende também à alimentação, com cerca de 12 mil refeições mensais oferecidas no refeitório próprio.
Ao longo de sua trajetória, a instituição se consolidou como um dos principais equipamentos sociais da capital baiana, com sede no Alto de Ondina desde 2012 e expansão recente, em 2024, com a ampliação do atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O reconhecimento veio por meio de premiações nacionais e internacionais e da habilitação como Centro Especializado em Reabilitação (CER II) pelo Ministério da Saúde, além do pioneirismo em tecnologias sociais e assistivas voltadas à reabilitação.
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