Na Ponta do Humaitá, na Cidade Baixa, uma construção atravessa mais de quatro séculos de história. Erguida em 1619, ainda nos primeiros anos da colonização portuguesa, a chamada Casa do Humaitá é considerada por historiadores a mais antiga casa de alvenaria ainda de pé na capital baiana — e possivelmente uma das primeiras do Brasil com finalidade residencial.
De frente para a Baía de Todos-os-Santos e ao lado da tradicional Forte de Monte Serrat, o imóvel ocupa uma das áreas mais simbólicas da cidade, marcada por sua importância estratégica e paisagística desde o período colonial.
Para o historiador Ricardo Carvalho, a relevância do espaço vai além da antiguidade. “A Casa do Humaitá é um patrimônio vivo da história de Salvador. Provavelmente, a primeira construção de alvenaria com objetivos residenciais da cidade, talvez até do Brasil”, afirma.

A casa hoje abriga dois restaurantes.
Ao longo dos séculos, o casarão acumulou diferentes funções. Há relatos de que o padre Antônio Vieira, uma das figuras mais importantes do período colonial, teria vivido no local em algum momento.
A edificação possui quatro lados avarandados e preserva características construtivas raras, como paredes grossas e alpendre imponente. “Há técnicas e materiais que já não existem, como cal, adobe, pedra e óleo de peixe ou de baleia. A Casa do Humaitá ainda escreve, no presente, uma narrativa ancestral de Salvador”, completa o historiador.
Atualmente, o imóvel abriga restaurantes que ocupam suas varandas. A última grande reforma foi realizada em 1927, durante o governo de Góis Calmon.

Placa na entrada da residência sinaliza a última grande reforma feita no local.
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