O ator Marcos Oliveira, conhecido por interpretar o Beiçola na série A Grande Família, gerou repercussão após relatar dificuldades de convivência no Retiro dos Artistas, onde reside há cerca de um ano. Em entrevista recente, o artista, de 69 anos, criticou o comportamento de outros moradores, o que provocou reações dentro da instituição.
Em resposta, a administradora do local, Cida Cabral, classificou as declarações como “infelizes”. Segundo ela, até então o ator não havia se envolvido em conflitos, mas os comentários causaram incômodo entre os residentes. “Foi uma declaração infeliz. Até então, ele não tinha nos causado nenhum tipo de problema. Ele tem o jeito dele, que a gente respeita, assim como respeitamos a maneira de pensar de cada um, mas não havia criado nenhum conflito até essa fala. É óbvio que os colegas ficaram extremamente chateados”, disse em entrevista ao jornal Extra.
Ainda de acordo com a administradora, o episódio impactou a convivência no espaço, mas a situação está sendo acompanhada por profissionais. “Claro que a relação dele com os outros moradores sofreu um abalo. Mas contamos com uma rede de apoio, com psicólogos e assistente social, e vamos contornar essa situação internamente”, afirmou.
O presidente do Retiro, Stepan Nercessian, evitou comentar o teor das críticas. “É a opinião dele. Marquinhos é assim: tem hora que ele está feliz, tem hora que não está. Então, não tenho nada a declarar a respeito.”
Nas declarações que deram origem à repercussão, Marcos Oliveira descreveu dificuldades no convívio coletivo, especialmente durante as refeições. “Viver aqui é ótimo, só que tem que se adaptar. Aqui não tem uma conduta geral para conviver. E aí você vai e aguenta. Na hora do almoço, é uma refeição que eles falam pra caralh*. Gritam, a relação deles é gritar”, disse.
O ator também criticou o comportamento dos colegas. “É uma coisa meio… Eu falo assim, ‘você pode sair da favela, mas a favela nunca sai de você’. O comportamento é muito mal-educado. Então eu fico quieto, vou lá, aguento numa boa, mas aqui, depois dos 70, 80 anos, não tem mais respeito, então f*da-se, deixa o pessoal falar. E eles não têm o hábito de um ir na casa do outro. Então eles preferem na hora da refeição fazer algum comentário. E só falam sobre o passado. E aí, bicho, eu não estou no passado”, completou.
Outro ponto abordado pelo artista foi a questão da sexualidade na terceira idade. “A gente, que é mesmo que é velho, a sexualidade existe. No inconsciente, à noite, você tem desejos, entendeu? Sexuais noturnos. E isso não se toca no assunto, porque velho é para não sentir mais prazer, para não ter mais relação”.
Em nota, o Retiro dos Artistas lamentou as declarações e afirmou que elas não representam a realidade da maioria dos moradores. A instituição destacou ainda que abriga mais de 50 residentes, cada um com histórias e perfis distintos, e reforçou seu compromisso com acolhimento e respeito.
“Sobre as recentes declarações do residente Marcos Oliveira, entendemos que foram infelizes e não refletem a realidade da maioria dos nossos residentes. Ainda assim, é importante reconhecer que nem toda pessoa que precisa de ajuda se sente confortável em estar em uma posição de vulnerabilidade. Precisar, aceitar e querer estar nessa condição são coisas diferentes, e isso também exige compreensão”, diz trecho do comunicado.
O texto também ressalta que os moradores têm liberdade para permanecer ou deixar o local quando desejarem. “Seguimos assumindo nossos acertos e falhas, com o compromisso de sempre evoluir. Reforçamos ainda que todos os residentes possuem livre arbitrio para estar aqui, podendo ir e vir quando desejarem. O Retiro dos Artistas permanece de portas abertas e seguirá trabalhando com respeito, responsabilidade e acolhimento. Somos contra julgamentos precipitados e desmoralização, especialmente quando envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade”, conclui a nota.