Salvador 477 anos: relembre lugares que marcaram época e deixaram saudade na cidade

Salvador 477 anos: relembre lugares que marcaram época e deixaram saudade na cidade

Redação Alô Alô Bahia

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Kirk Moreno para o Alô Alô Bahia

Reprodução / Internet

Publicado em 23/03/2026 às 12:40 / Leia em 8 minutos

Salvador completa 477 anos no próximo domingo (29). Às vésperas da data, o Alô Alô Bahia inicia uma série especial sobre a primeira capital do país. Nesta primeira reportagem, o foco vai além dos cartões-postais: a cidade também é feita de lugares que, mesmo após fecharem as portas, seguem vivos na memória dos soteropolitanos.

Confira as casas noturnas, restaurantes, hotéis e espaços de lazer que marcaram gerações e ajudam a contar a história recente da capital baiana:

Anos 60
Na orla de Itapuã, o Língua de Prata se consolidou, desde a década de 1960, como um dos principais redutos da boemia soteropolitana. Em um cenário ainda resistente ao arrocha e à seresta, o espaço abriu palco para artistas e bandas do circuito popular, tornando-se ponto de encontro democrático à beira-mar. Após décadas de funcionamento, foi demolido em 2015 durante a requalificação da orla.

Língua de Prata funcionou até 2015.

Anos 70
Entre os anos 1970 e 1980, Salvador viveu o auge de uma vida noturna marcada pelo glamour e pela influência internacional. A boate Régine’s, instalada no subsolo do antigo Le Méridien, integrava a rede da empresária francesa Régine Choukroun, conhecida como a “rainha da noite”, e atraía a alta sociedade, artistas e turistas estrangeiros com sua ambientação sofisticada. Com a decadência do hotel nos anos 1990, a casa encerrou suas atividades junto com o complexo.

No mesmo circuito, casas como Le Zodiaque, Hippopotamus — do empresário Ricardo Amaral — e Bual’Amour ajudaram a consolidar a cidade como destino de uma noite elegante e vibrante. A Hippopotamus, em especial, ganhou fama pela pista animada, tecnologia de som avançada e pela presença constante de celebridades, embalada por DJs como o lendário DJ Frank. Assim como outras casas da época, acabaram fechando ao longo dos anos 1980 e 1990, com mudanças no perfil da noite soteropolitana.

Nos anos 70, Salvador viveu o auge de uma vida noturna marcada pelo glamour e pela influência internacional.

Na gastronomia, o Casquinha de Siri, em Piatã, se tornou referência ao popularizar o prato homônimo que virou símbolo da culinária litorânea. O espaço original encerrou suas atividades anos depois, dando lugar a novos empreendimentos na região.

Já na hotelaria, o Bahia Othon Palace, inaugurado em 1975 em Ondina, marcou época ao receber nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Mick Jagger, além de sediar grandes eventos. O hotel encerrou suas atividades em 2018.

O Bahia Othon Palce recebeu nomes como Mick Jagger.

Também no Rio Vermelho, o Le Méridien foi o primeiro hotel cinco estrelas da Bahia e consolidou Salvador no circuito internacional de luxo, hospedando personalidades como Pelé e Hillary Clinton, e abrigando atrações como a própria Régine’s e réveillons com queima de fogos que marcaram época. Após enfrentar dívidas, o empreendimento foi desativado, reaberto sob outras bandeiras e acabou fechado definitivamente na década de 2010.

Anos 80
Os anos 80 foram de transição, já respirando a efervescência que daria origem à Axé Music. Nesse contexto, a Mamagaya, inaugurada em 1988 na Pituba, se tornou um dos principais palcos da juventude, recebendo artistas e bandas que circulavam pelo circuito nacional e acompanhando o crescimento da cena musical baiana. A casa encerrou suas atividades nos anos seguintes.

Na orla de Ondina, o Salvador Praia Hotel se consolidou como referência em hospedagem de luxo e ponto privilegiado no circuito do Carnaval, abrigando a boate Cabral 1500 e atraindo turistas e foliões. O hotel fechou em 2009, ficou abandonado por cerca de uma década e foi demolido em 2019 para dar lugar a um novo empreendimento imobiliário.

Salvador Praia Hotel fechou em 2009 e hoje abriga um novo empreendimento imobiliário.

Na gastronomia, o Baby Beef Bahia, fundado por Mamede Paes Mendonça, se tornou símbolo ao popularizar cortes nobres e criar um couvert que atravessou gerações, com cenouras geladas e molho de cebola. O restaurante passou por mudanças de gestão e formatos ao longo dos anos, deixando o endereço original e sendo reformulado em novos modelos.

Baby Beef Bahia foi fundado por Mamede Paes Mendonça e se tornou referência no segmento.

Anos 90
Impulsionada pelo sucesso do axé, Salvador viveu nos anos 90 uma fase de intensa movimentação cultural. A Zouk Santana, em Nazaré, se destacou por reunir diferentes tribos em uma mesma pista, com programação que misturava música eletrônica, pop e black music. A casa encerrou suas atividades com o declínio da cena na região central.

Na orla, o Café Cancún virou febre ao unir restaurante mexicano e boate com tequileiros, drinks gelados e mesas que se transformavam em pista de dança. O Aeroclube, inaugurado em 1999 como o primeiro shopping a céu aberto da América Latina, reunia cinema UCI, kart, boliche e casas como o Rock in Rio Café, além de sediar ensaios de bandas como Harmonia do Samba, Psirico e AraKetu. Após anos de decadência e disputas judiciais, o complexo foi desativado e demolido, dando lugar ao atual Centro de Convenções de Salvador.

O Aeroclube foi o primeiro shopping a céu aberto da América Latina.

Ainda na década, o Wet’n Wild trouxe à avenida Paralela um parque aquático de padrão internacional, com piscina de ondas e grandes toboáguas. O empreendimento fechou em 2000 por dificuldades financeiras e, posteriormente, foi transformado em um dos principais espaços para grandes shows da cidade.

O Wet’n Wild fechou em 2000 por dificuldades financeiras e, posteriormente, foi transformado em espaço para eventos.

Já o Trapiche Adelaide, inaugurado em 1997, elevou o nível da gastronomia local ao unir arquitetura assinada por David Bastos e cozinha contemporânea com influência do chef italiano Piero Cagnin, em um cenário privilegiado na Baía de Todos-os-Santos. O espaço encerrou suas atividades no fim dos anos 2000 e deu lugar a um empreendimento imobiliário de alto padrão.

O Trapiche Adelaideuniu arquitetura e cozinha contemporânea na Baía de Todos-os-Santos.

Anos 2000
Nos anos 2000, a noite soteropolitana ganhou contornos mais cosmopolitas. O Club Lotus, instalado no Edifício Oceania, na Barra, trouxe sofisticação e conexão com tendências internacionais, com festas voltadas à música eletrônica . A casa encerrou suas atividades anos depois, acompanhando a rotatividade da cena noturna na região.

O Club Lotus ficava instalado no Edifício Oceania.

Na Avenida Contorno, o Pier Bahia, fruto da parceria entre a Caco de Telha (antiga produtora de Ivete Sangalo) e o Trapiche Adelaide, recebeu grandes nomes como a própria Ivete, Titãs e Chiclete com Banana, se tornando destaque nos ensaios de verão. O espaço funcionou por um curto período, entre 2002 e 2004, quando foi desativado.

Já o Bahia Café Hall, na Paralela, se consolidou como espaço para grandes shows, formaturas e eventos corporativos, com forte presença do público jovem e LGBT, antes de fechar em 2015 após disputas judiciais.

Bahia Café Hall reuniu grandes shows.

Na Barra, a Off Club transformou a Rua Dias D’Ávila no famoso “Beco da Off”, ponto de encontro da cena LGBTQIA+, com festas, DJs e shows de transformistas. A casa encerrou suas atividades na década de 2010, mas o entorno seguiu como referência de vida noturna.

Off Club marcou uma geração e transformou localidade em “Beco da Off”.

No Rio Vermelho, o Commons Studio Bar, inaugurado em 2013, se tornou referência da música independente ao receber artistas como Larissa Luz, Márcia Castro, Maglore e IFÁ, além de festas como “Baile Esquema Novo” e “Back in Bahia”. O espaço anunciou o encerramento de suas atividades em 2020, durante a pandemia.

Communs Studio Bar era referência da música independente da cidade.

Na gastronomia, a chegada do Fogo de Chão, em 2008, no Rio Vermelho, reforçou o segmento de churrascarias de alto padrão na cidade. A unidade acabou encerrando suas atividades anos depois, acompanhando mudanças estratégicas da rede na capital baiana.

O especial Salvador 477 anos do Alô Alô Bahia é oferecido pela Moura Dubeux e Guanabara e conta com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

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