Ozempic também ajuda na luta contra a depressão e a ansiedade, afirma estudo

Ozempic também ajuda na luta contra a depressão e a ansiedade, afirma estudo

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 23/03/2026 às 14:24 / Leia em 3 minutos

Um estudo conduzido pela Universidade da Finlândia Oriental com mais de 95 mil pessoas, entre 2009 e 2022, identificou que medicamentos da classe GLP-1, utilizados para perda de peso, também podem estar associados à melhora de quadros de saúde mental, como depressão e transtornos de ansiedade.

A pesquisa analisou dados por meio de um modelo intraindividual, no qual cada participante foi comparado consigo mesmo em períodos com e sem uso dos medicamentos. Entre os resultados, a semaglutida, presente em remédios como Ozempic e Wegovy, apresentou os efeitos mais expressivos, com redução de 42% no risco de agravamento de transtornos mentais em geral. Especificamente, houve queda de 44% nos casos de depressão, 38% em transtornos de ansiedade e 47% em transtornos por uso de substâncias.

Outro composto avaliado, a liraglutida, demonstrou impacto mais moderado, com redução de 18% no risco geral de piora dessas condições. Já substâncias como exenatida e dulaglutida não apresentaram associação significativa com melhora dos quadros analisados.

Os dados também indicaram uma redução de 44% no risco de automutilação entre os participantes durante o uso desses medicamentos.

Segundo os pesquisadores, os efeitos podem estar relacionados à atuação dessas substâncias em áreas do cérebro ligadas à recompensa e à regulação emocional, como o sistema mesolímbico e regiões frontocorticais, além de possíveis propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias.

No entendimento dos autores, “para ansiedade e depressão que coexistem com diabetes e obesidade, a semaglutida e, em menor grau, a liraglutida podem ser opções terapêuticas duplamente eficazes”.

Apesar dos resultados, o estudo apresenta limitações. Entre elas, a ausência de dados individuais mais detalhados, como a gravidade dos sintomas, além de menor robustez estatística para alguns medicamentos e a possibilidade de aplicação restrita a sistemas de saúde semelhantes ao sueco.

Em entrevista ao site ScienceDaily, o diretor de pesquisa Markku Lähteenvuo afirmou: “Como este é um estudo baseado em registros, não podemos determinar exatamente por que ou como esses medicamentos afetam os sintomas de humor, mas a associação foi bastante forte”.

Ele acrescentou: “É possível que, além de fatores como redução do consumo de álcool, melhorias na imagem corporal relacionadas à perda de peso ou alívio associado a um melhor controle glicêmico no diabetes, também possam existir mecanismos neurobiológicos diretos envolvidos — por exemplo, por meio de alterações no funcionamento do sistema de recompensa do cérebro”.

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