Filha de Juca de Oliveira, Isabella Faro se emocionou ao falar sobre a morte do ator, que faleceu na madrugada deste sábado (21), em decorrência de uma pneumonia agravada por condições cardíacas. Durante o velório do artista, realizado na Funeral Home, em São Paulo, a produtora teatral fez questão de exaltar o legado e a relação do pai com a família.
“Meu pai era um homem de teatro e seu legado é indiscutível. Temos peças dele em cartaz atualmente. Ele era apaixonado por teatro, cultura, política e pautas sociais. Ele amava viver e soube viver. Hoje, muitos amigos vieram se despedir e nos dar um abraço carinhoso. Sou filha única e ele foi um pai maravilhoso, um avô maravilhoso. Minha filha, também única, já é uma apaixonada por teatro com apenas 4 anos. E isso é influência dele”, disse.
O ator, autor e diretor Juca de Oliveira morreu aos 91 anos na madrugada deste sábado (21), em São Paulo. O artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março, em decorrência de uma pneumonia associada a uma condição cardiológica.
Nascido em 16 de março de 1935, em São Roque, José Juca de Oliveira Santos iniciou sua carreira nos palcos na década de 1950. Ao longo de mais de seis décadas, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de integrar o elenco de longas-metragens e cerca de 60 peças teatrais.
Na televisão, um de seus papéis mais marcantes foi na novela O Clone, de Glória Perez, na qual interpretou o médico geneticista Doutor Albieri, personagem central na trama sobre clonagem humana.
Antes de se dedicar integralmente à atuação, Juca chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo e trabalhou em banco, mas decidiu seguir a vocação artística ao ingressar na Escola de Arte Dramática.
Ainda nos anos 1950, integrou o histórico Teatro Brasileiro de Comédia, contracenando com nomes como Aracy Balabanian e participando de montagens como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.
Na década de 1960, ao lado de Augusto Boal, Paulo José, Flávio Império e do próprio Guarnieri, participou da compra do Teatro de Arena, um dos principais símbolos da resistência cultural durante a Ditadura Militar no Brasil.
Perseguido pelo regime, o artista chegou a se exilar na Bolívia. Anos depois, relembrou o período como uma “tragédia” para o teatro brasileiro.
De volta ao país, estreou na televisão em 1964, na novela “Quando o Amor É Mais Forte”, da TV Tupi. Já na TV Globo, iniciou sua trajetória em 1973, em “O Semideus”.