O que começou como testes culinários em casa se transformou em um negócio de alto crescimento. O empreendedor Bar Bruhis, de 35 anos, é o fundador da Boostcous, marca de cuscuz marroquino funcional que hoje fatura mais de US$ 5 mil por dia — cerca de R$ 26 mil na cotação atual.
Segundo a revista Entrepreneur, a empresa foi lançada oficialmente em dezembro de 2025, em parceria com Brian Gallagher, após cerca de dois anos de desenvolvimento da fórmula e busca por fornecedores. A expectativa é alcançar US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15,6 milhões) em receita até o fim de 2026.
A ideia surgiu de uma memória afetiva. Nascido em Israel, Bruhis cresceu consumindo cuscuz de semolina, mas passou a questionar o baixo valor nutricional do alimento tradicional. A partir disso, desenvolveu uma versão mais saudável, com 18 gramas de proteína e 11 gramas de fibra por porção, além de ser sem glúten e de preparo rápido — cerca de cinco minutos.
Para tirar o projeto do papel, os sócios investiram US$ 30 mil (cerca de R$ 156 mil). Parte da estratégia inicial incluiu o uso de cartões de crédito com juros zerados por 12 meses, o que ajudou a impulsionar o marketing sem comprometer o caixa da empresa.
Antes mesmo da produção, os empreendedores garantiram domínio do site e perfis nas redes sociais — decisão considerada estratégica para fortalecer a marca desde o início. Em seguida, enfrentaram desafios como desenvolvimento da fórmula, escolha de fabricantes e adequação às normas de segurança alimentar.
O início também teve contratempos. No primeiro lote de 12 mil caixas, a tabela nutricional foi impressa com informações incorretas. A empresa assumiu o erro publicamente, corrigiu os dados e ajustou os processos nas produções seguintes.
A virada veio com a visibilidade nas redes sociais. Logo após o lançamento, a marca viralizou e faturou cerca de US$ 10 mil nas primeiras duas semanas. Após uma queda inicial nas vendas, os fundadores investiram em marketing pago e conseguiram estabilizar a operação em cerca de dois meses.
Hoje, com crescimento acelerado, Bruhis decidiu deixar o emprego fixo para se dedicar integralmente à empresa. Parte do desempenho também é atribuído ao uso de inteligência artificial, aplicada em tarefas como criação de anúncios, campanhas de e-mail e gestão operacional, o que permitiu manter uma estrutura enxuta.
Além da tecnologia, o empreendedor destaca o papel da comunidade de bens de consumo embalados e o aprendizado por meio de conteúdos gratuitos na internet. Para ele, o principal combustível do negócio é o retorno dos clientes, que têm encontrado formas criativas de consumir o produto — do café da manhã a sobremesas.
Para quem deseja empreender, o conselho é simples: começar. “Você aprende rápido, cria conexões e evolui com o tempo”, afirma.