Uma matéria especial publicada nesta sexta-feira (20), na Casa Vogue, destaca a Casa Buri, projeto da arquiteta Bianca Vilela no sul da Bahia. Localizada em Trancoso, a residência aposta em uma linguagem que a autora define como “greco-baiana”, combinando alvenaria estrutural com artesanato regional e o tradicional reboco baiano.
A técnica, aplicada manualmente, cria superfícies com acabamento irregular e poroso, resultando em uma estética rústica e orgânica. Para Bianca, a escolha representa um resgate cultural de um estilo que, segundo ela, vem se perdendo na região. A paleta em tons terrosos, inspirada na lama — matéria-prima de sua marca de cerâmica, a Lamacota —, percorre toda a casa.
O projeto tem como uma de suas principais referências o escultor e ceramista Calá, morador de Trancoso há mais de quatro décadas. Inspirada por ele, a arquiteta priorizou o uso de mão de obra local em todas as etapas da obra, da marcenaria às peças em cerâmica.
Com formas orgânicas e arredondadas, a casa reúne elementos como rodapés abaulados, luminárias alongadas e uma estante de concreto com nichos curvos, inspirada nos CIEPs de Oscar Niemeyer. Esquadrias e objetos foram garimpados no interior da Bahia, reforçando o caráter autoral do projeto.
Implantada em um terreno de cerca de 4 mil m², a residência tem 110 m² de área construída e foi desenhada em formato de “L” para preservar a vegetação nativa. O programa inclui uma suíte ampla, estar e cozinha integrados, área de jantar externa e terraço com vista para o pôr do sol.
Na área externa, o espaço conta ainda com jardim nativo, horta orgânica, galinheiro, fogueira e um ofurô integrado à mata. O nome Casa Buri faz referência ao buriti, à palmeira-buri-de-praia presente no terreno e ao peixe “buri”, em japonês.
Para Bianca Vilela, o projeto também marca uma transformação pessoal. “Ela veio como uma transição para mim, como profissional e como mulher. Acho que fui mudando junto com a casa, conforme ela foi sendo construída”, afirmou.