A queda da patente da semaglutida, substância presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy, marca uma mudança importante no mercado farmacêutico brasileiro a partir desta sexta-feira (20), com o fim da exclusividade da Novo Nordisk sobre a fabricação. Na prática, outras empresas passam a poder produzir e vender medicamentos com o mesmo princípio ativo, desde que obtenham autorização da Anvisa, o que abre expectativa de aumento da oferta e possível redução de preços.
Apesar da mudança regulatória, os efeitos para os pacientes não devem ser imediatos. O processo de aprovação ainda está em andamento, com diversos pedidos de registro em análise, e a chegada dos novos produtos às farmácias pode levar meses. A previsão é de que os primeiros lançamentos ocorram ainda no primeiro semestre, mas sem impacto instantâneo no acesso.
A principal expectativa está no abastecimento. Nos últimos anos, o Ozempic enfrentou períodos de escassez no Brasil, e a entrada de novos fabricantes tende a reduzir o risco de falta nas prateleiras. Já em relação aos preços, embora haja projeções otimistas de queda de até 35%, especialistas alertam que isso não é garantido e depende da dinâmica de mercado.
Experiências anteriores mostram cenários distintos. Medicamentos como a atorvastatina, conhecida comercialmente como Lipitor, tiveram forte redução de preço após o fim da patente, ampliando o acesso ao tratamento. Por outro lado, casos mais recentes, como o da liraglutida, usada no Saxenda, registraram quedas mais tímidas, com versões similares custando valores próximos ao original.
Outro ponto importante é que os novos produtos não serão exatamente genéricos. Como a semaglutida é um medicamento biológico, as versões que chegam ao mercado são chamadas de biossimilares ou, em alguns casos, análogos sintéticos. Embora possam apresentar pequenas variações, todos precisam comprovar segurança e eficácia para aprovação regulatória.
Para pacientes que já utilizam Ozempic ou Wegovy, a troca por outras versões pode ser feita, mas exige acompanhamento médico. A resposta ao tratamento pode variar de pessoa para pessoa, como já observado com outros medicamentos, o que reforça a importância de avaliação individual.
A ampliação da concorrência também reacende o debate sobre o acesso no sistema público. Atualmente, a obesidade segue como uma das poucas doenças crônicas sem tratamento medicamentoso disponível no SUS. Tentativas de incorporar opções como a semaglutida ou a liraglutida foram barradas anteriormente pelo alto custo, mas a expectativa é que preços mais baixos possam mudar esse cenário no futuro.
É importante destacar que não houve quebra de patente, mas sim o término natural do período de proteção, o que permite a entrada de novos concorrentes. Paralelamente, segue em discussão no país a possibilidade de quebra de patente de outros medicamentos, como a tirzepatida, usada no Mounjaro, tema que ainda não tem definição.