A atriz Fernanda Montenegro, de 96 anos, comentou a experiência de atuar sob direção do filho, Cláudio Torres, no filme “Velhos Bandidos”. Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, a artista destacou o significado do projeto em sua trajetória e a convivência com o elenco.
Com mais de oito décadas de carreira, Fernanda ressaltou o caráter especial da produção, que reúne nomes como Ary Fontoura, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Bruna Marquezine. Ao falar sobre o momento atual da vida, ela refletiu sobre o presente como principal referência. “Há uma hora na vida em que a gente não tem mais futuro, sem morbidez, tem só o presente. Eu acho que eu só tenho o presente”, afirmou.
A atriz também abordou a dinâmica profissional com o filho durante as filmagens. “No presente, eu ter a oportunidade de estar junto para essa família de opção e ter o meu filho me comandando, mas não de filho para mãe e a mãe também recebendo o filho. Não! Um diretor e uma atriz, igualmente, como ele cuida do elenco ou do que vem depois da montagem, porque cinema é uma coisa mecânica também”, disse.
Em tom emocionado, Fernanda destacou o valor humano da experiência. “Tem que ter a alma humana… e tem. Eu digo humana porque estou redundante, porque dizem que só o ser humano tem alma. Então, eu estou me estendendo demais porque é um momento especial na minha vida, meus amigos queridos, meus amigos queridos. E um presente do meu filho, nesta altura das nossas vidas. Muito obrigada”.
Diretor do longa, Cláudio Torres afirmou que o projeto também funciona como uma homenagem à mãe. “Acho que todo mundo que está aqui, está aqui por ela. E, quando juntou todo mundo, a gente viu que tinha algo muito maior. Então, foi exatamente isso. Uma ‘catelada’, eu imagino. Quem diria não, né? É só um ‘bom dia’ e ‘olha, estou fazendo um filme com a minha mãe’, pronto, está resolvido. Dona Fernanda”.
A veterana ainda destacou a afinidade com o gênero e o ambiente de trabalho no set. “Sabe que eu gosto de comédia, fiz muita comédia na minha vida. E tem o conjunto também de companheiros de cena, na idade em que estamos nós dois. É ali: fazemos jogo cênico com o elenco tão mais jovem, sabe? Tão mais jovem. E, pela maneira também como o Cláudio joga a vida dele e o caráter altamente humanado que ele tem, tudo foi uma festa, foi um prazer fazer o filme. Era divertido, era… dava pena quando acabava o dia e a gente já tinha cumprido. Nem ia ficar depois da data de terminar o filme, entendeu?”.