A primeira aparição de Wagner Moura nas telas ocorreu ainda na infância, muito antes de o ator se tornar um dos nomes mais reconhecidos do audiovisual brasileiro e conquistar prêmios internacionais. Aos 11 anos, ele participou do documentário O Sertão Que Virou Mar (1989), produção que retrata a cidade de Rodelas, no sertão da Bahia, onde passou parte da infância.
No filme, o jovem Wagner relata a experiência de ter de deixar a cidade após a construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica, hoje chamada de Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. Concluída em 1988, a barragem provocou o alagamento da antiga Rodelas e obrigou a transferência dos moradores para a chamada Nova Rodelas, construída em uma área mais elevada.
Ver essa foto no Instagram
Com o fechamento das comportas da usina, o reservatório formado no Rio São Francisco também inundou outras localidades, como Barra do Tarrachil, na Bahia, e as cidades pernambucanas de Petrolândia e Itacuruba. Da antiga Rodelas, apenas a caixa-d’água que abastecia a população permanece visível, erguida sobre o lago como um símbolo da cidade submersa.
Atualmente, o município conta com pouco mais de 10 mil habitantes e tem na produção de coco sua principal atividade econômica. Com cerca de 86 mil toneladas por ano, Rodelas está entre os maiores produtores da fruta no país.
Ver essa foto no Instagram
Primeiros passos no teatro
Antes de deixar a cidade, Wagner Moura começou a se envolver com as artes cênicas ainda criança. Em 1987, fez sua estreia no teatro no grupo amador Guterchaplin, ativo até hoje na cidade. Sua primeira peça foi A Profecia, um auto de Natal encenado nas ruas da cidade. Pouco depois, também participou da montagem A Estrela.
Em 1990, a família voltou para Salvador, onde o jovem ator aprofundou o interesse pelo teatro. Aos 16 anos, já atuava em produções como Cuida Bem de Mim e A Casa de Eros.
Seu primeiro prêmio veio com a atuação em Abismo de Rosas, dirigida por Fernando Guerreiro, que lhe rendeu o troféu de revelação no Prêmio Braskem de Teatro.
Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, Wagner chegou a trabalhar na TV Bahia antes de se dedicar integralmente à carreira artística.
O reconhecimento nacional viria em 2000 com a peça A Máquina, escrita por Adriana Falcão e João Falcão. No espetáculo, dividiu o palco com Lázaro Ramos, e o sucesso da montagem abriu caminho para seus trabalhos no cinema e na televisão.