Artista baiano Roney George leva cultura do Recôncavo para nova galeria em Nova York

Artista baiano Roney George leva cultura do Recôncavo para nova galeria em Nova York

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Danilo Scaldaferri/Divulgação

Publicado em 13/03/2026 às 08:38 / Leia em 4 minutos

A cultura do sertão baiano e as dinâmicas do Recôncavo acabam de ganhar uma vitrine de peso no circuito de arte internacional. O artista plástico Roney George é um dos destaques da exposição coletiva que inaugura nesta sexta-feira (13) o novo espaço da Art in Brackets, localizado no badalado bairro de TriBeCa, em Nova York. A mostra explora o intercâmbio artístico e histórico entre o Brasil e a África.

Nascido em Itapetinga, no sudoeste da Bahia, e formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Roney leva para a metrópole americana referências fortes da cultura sertaneja, como a figura dos caboclos de couro. Para o artista, apresentar essa estética ao público nova-iorquino é uma via de mão dupla.

“Eu acho que todas essas relações que temos com os caboclos, com a manipulação e a tecnologia do couro, são coisas que vêm de outros lugares do mundo, então é tudo inter-relacionado. O fato de eu perceber isso como baiano e botar em Nova York é uma percepção de Nova York para coisas que a gente está produzindo. Eu acho isso bom para Nova York. Claro que é bom para a gente também”, disse ele, em entrevista ao Alô Alô Bahia.

Obra “Quando o Galo Cantou” — Foto: Divulgação

A exposição coletiva desafia as barreiras entre a arte contemporânea, o design e o artesanato, destacando a estética da diáspora africana e objetos de cultura material. O trabalho de Roney George dialoga diretamente com essa proposta ao transformar a memória ancestral em linguagem visual atual.

“A África é nosso berço, não só da Bahia ou do Brasil, mas do planeta. Sou fruto disso de uma forma mais radical, por ser baiano e dialogar com essas estéticas. Tento trazer isso para o que tem de mim em memória e transformá-las em proposta, em pensamento, em afirmação das coisas que eu penso sobre o mundo”, explicou o artista, que transita com facilidade entre a pintura, o desenho, a ilustração e o muralismo.

Obra “Festa de Largo” — Foto: Divulgação

A presença na Art in Brackets coroa uma trajetória que começou no interior baiano e se expandiu na capital. A mudança para Salvador ampliou a investigação de Roney sobre os contrastes entre o sertão e a cidade, além de aprofundar o seu próprio autoconhecimento.

“Ser de Itapetinga é fundamental, porque foi lá que aprendi a enxergar o mundo e a me perceber como artista. Fazer essa transição para Salvador foi como uma confirmação de coisas que eu acreditava, mas também aprendendo com coisas que eu não sabia sobre mim mesmo, tipo a minha negritude”, refletiu.

Ele celebra o atual momento da carreira na vitrine internacional: “É uma honra fazer parte disso, ser de Itapetinga e estar participando dessa inauguração em Nova York num momento em que as pessoas estão percebendo de forma sensível os novos acontecimentos do mundo”.

Para colocar no roteiro

O novo espaço da Art in Brackets fica em um edifício histórico na 46 Walker Street, marcando a chegada da consultoria de arte ao bairro que é considerado a nova meca das galerias na cidade norte-americana.

Além de Roney George, a mostra reúne nomes consagrados como o também baiano Adriano Machado, Maxwell Alexandre e Panmela Castro.

Para quem está em Nova York ou planeja visitar a cidade nos próximos meses, a exposição é aberta ao público e segue em cartaz até o dia 2 de maio, com funcionamento de terça a sábado, das 11h às 18h.

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