A inauguração da estátua de Moraes Moreira, nas proximidades da Praça Castro Alves, nesta quinta-feira (12), em Salvador, foi marcada por emoção entre familiares, amigos e admiradores do cantor e compositor.
Entre os presentes estava o músico Davi Moraes, filho do artista, que falou sobre o significado de ver o pai eternizado em um dos locais mais simbólicos do Carnaval da capital baiana.
Visivelmente emocionado, Davi destacou a forte ligação que Moraes tinha com o público e com a cidade.
“É difícil traduzir em palavras esse momento. Meu pai teve fé e coragem de sair de Ituaçu apenas com a cara e a coragem para viver de música e conquistar tudo isso. Estar hoje num lugar que era o xodó da vida dele, que é essa praça, faz passar um filme na cabeça”, disse.
Após a cerimônia, o músico também se apresentou em homenagem ao legado do pai.
A iniciativa é da Prefeitura de Salvador e integra as comemorações pelos 40 anos da Fundação Gregório de Mattos (FGM), instituição responsável pela política cultural da capital baiana. Ao longo do ano, a fundação realizará uma série de ações voltadas à ocupação e valorização dos espaços culturais da cidade.

Escultura Moraes Moreira
A escultura foi criada pelo artista plástico Roberto Manga e instalada em frente ao Fasano Salvador. A escolha do local não é por acaso: a Praça Castro Alves é considerada um dos pontos mais simbólicos do Carnaval de Salvador e palco de momentos históricos da carreira do artista.
Natural de Ituaçu, no sudoeste baiano, Moraes Moreira — batizado Antônio Carlos Moraes Pires — iniciou sua trajetória musical após ingressar no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Lá conheceu artistas como Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, com quem fundou o grupo Novos Baianos, responsável por clássicos como Mistério do Planeta e A Menina Dança.

Davi Moraes
Em 1976, já em carreira solo, o artista também entrou para a história ao se tornar o primeiro cantor a se apresentar em cima de um trio elétrico, ao lado de Dodô e Osmar Macêdo.
Moraes Moreira morreu em abril de 2020, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto. A nova estátua agora eterniza sua ligação com a praça que ajudou a transformar em um dos grandes palcos do Carnaval de Salvador.