Apresentador Ratinho questiona Erika Hilton em Comissão da Mulher e deputada reage

Apresentador Ratinho questiona Erika Hilton em Comissão da Mulher e deputada reage

Redação Alô Alô Bahia

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Pablo Valadares/Câmara e SBT/Divulgação

Publicado em 12/03/2026 às 10:36 / Leia em 3 minutos

Uma declaração do apresentador Ratinho, feita ao vivo em seu programa no SBT, provocou forte reação nas redes sociais e no meio político ao criticar a escolha da deputada federal Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Durante a atração exibida na noite de quarta-feira (11), o comunicador comentou a eleição da parlamentar do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-SP) para o comando do colegiado. Ratinho afirmou não considerar “justo” que uma mulher trans ocupe o cargo e declarou que, na sua visão, a função deveria ser exercida por alguém que “nasceu mulher”.

No programa, o apresentador também disse que, para ser mulher, seria necessário “ter útero” e “menstruar”, além de questionar se a parlamentar seria “deputada ou deputado”. As declarações foram classificadas por críticos e ativistas como transfóbicas e rapidamente repercutiram nas redes sociais e em veículos de imprensa.

A fala ocorreu logo após a definição do nome de Erika Hilton para presidir a comissão responsável por discutir políticas públicas voltadas aos direitos das mulheres no Legislativo federal, um cargo simbólico dentro das disputas políticas e ideológicas sobre gênero e representatividade.

Reação de Erika Hilton às falas de Ratinho

Após a repercussão, a deputada federal acionou o Ministério Público Federal para investigar o apresentador e o SBT por declarações consideradas transfóbicas. Além da abertura de um inquérito civil, a parlamentar solicita que o caso resulte em uma ação civil pública com pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans e travesti, um valor que, por si só, já evidencia o peso atribuído à denúncia.

A parlamentar, uma das primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara dos Deputados, já foi alvo de episódios semelhantes em outras ocasiões e costuma afirmar que esse tipo de discurso busca deslegitimar sua atuação política. Nos últimos anos, ela também acionou a Justiça em casos de ofensas transfóbicas e denunciou ataques públicos e virtuais.

O episódio reacendeu um debate recorrente no Brasil sobre identidade de gênero, representação política e os limites do discurso público. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que atos de transfobia podem ser enquadrados como crime de racismo, o que ampliou a responsabilização legal para casos de discriminação contra pessoas trans.

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