A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita nesta quarta-feira (11) presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil. A parlamentar obteve 11 votos no segundo turno da votação, garantindo a maioria simples necessária para assumir o comando do colegiado.
A eleição ocorreu após uma primeira tentativa sem definição. No primeiro escrutínio, que exige maioria absoluta, Hilton recebeu 10 votos, enquanto 12 deputados registraram voto em branco. A votação foi secreta e realizada de forma virtual.
Após o resultado inicial, parlamentares da oposição tentaram impedir a realização de um segundo turno. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) argumentou que não deveria haver nova votação, afirmando que a maioria da comissão rejeitaria a chapa. Ela negou, no entanto, que estivesse tentando sabotar a eleição.
Apesar da resistência de parte da bancada bolsonarista, nenhuma candidatura alternativa foi apresentada. Isso ocorreu porque a presidência da comissão havia sido destinada ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol) em acordo firmado entre os partidos no início do ano, durante a divisão dos comandos das comissões da Câmara.
Hilton assume o posto no lugar da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), que presidia o colegiado e conduziu a votação desta quarta-feira.
Após a confirmação do resultado, Erika Hilton afirmou que pretende conduzir uma gestão voltada à pluralidade e ao enfrentamento da violência contra mulheres. “Nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade”, declarou.
Segundo a deputada, o trabalho da comissão deverá priorizar o combate à violência patriarcal e misógina que afeta meninas e mulheres no país.
A eleição também tem caráter simbólico. Erika Hilton se torna a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da Câmara dos Deputados.