A passagem do metrô pelo Campo Grande, em Salvador, mudará a rotina de quem vive e transita pela região histórica da cidade. Depois da publicação de decretos de desapropriação de área de mais de 6 mil m², a expectativa é que as obras do Tramo 4 do metrô tenham início ainda neste semestre, segundo a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB). Para que o prazo seja cumprido, as negociações com os proprietários de imóveis afetados ainda precisam ser finalizadas.
O CORREIO teve acesso a parte do projeto de expansão do modal em Salvador. Conforme as imagens acessadas pela reportagem, a estação do Campo Grande será localizada em um conjunto arquitetônico que envolve casarões antigos, inclusive onde funciona a Fundação João Fernandes da Cunha, fundada em 1992. O espaço fica próximo ao Teatro Castro Alves, no Largo Campo Grande.

Segundo Eracy Lafuente, presidente da CTB, a estação deverá ter 190 vagas para estacionamento de veículos, além de pontos de comércio. Inicialmente, a previsão não era de que a estação fosse instalada nesse local, mas o projeto precisou ser ajustado após indicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Prefeitura e Governo do Estado. O plano incial de perfurações de 60 metros tmabém foi alterado para profundidade entre 46 e 48 metros.
“Nós fizemos estudos e examinamos, inclusive, a possibilidade, [da estação] ser na praça [Campo Grande]. Observando as questões de mitigação de impacto relacionadas ao trânsito e Carnaval, encontramos uma solução e conseguimos o deferimento do Iphan e do Ipac [Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia] para a demolição daquele composto de alvenaria”, afirma Eracy Lafuente. Como já mostrou o CORREIO, moradores da região temem os impactos da expansão do metrô e cobram mais transparência do Estado.

Segundo o presidente da CTB, a mudança de local da estação vai propiciar mais conforto aos usuários. “Ganhamos a possibilidade de ter esteticamente e do ponto de vista de volume, uma massa arquitetônica melhor do que, por exemplo, a estação Campo da Pólvora, que só tem uma saída com um mezanino embaixo”, diz. O projeto ainda conta com duas saídas de emergência e ventilação (VSE), uma na Avenida Santa Rita, na ligação entre o Vale do Canela e o Campo Grande, e outra no Politeama.

Para que o plano de início das obras ocorra como o previsto, as negociações com donos de imóveis afetados ainda precisam ser finalizadas. “Evidente que, a partir da demolição, nós temos um capítulo ainda que chama-se: negociar, pagar e ter imissão na posse. Não queremos ser injustos e estamos verificando a melhor maneira de fazer isso”, acrescenta Eracy Lafuente.

Desapropriações
Uma área de cerca de 6 mil m² foi desapropriada no Campo Grande para a execução das obras do Tramo 4 da Linha 1 do metrô de Salvador. No total, o espaço a ser desocupado equivale a pouco menos de um campo de futebol, que por padrão tem cerca de 7.140 m². A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) em 18 de dezembro.

O novo trecho do metrô da capital, que ligará a Estação da Lapa ao Campo Grande, foi autorizado pelo governo estadual em junho de 2025. O investimento previsto é de cerca de R$ 1,5 bilhão, e a expansão contará com um percurso de 1,2 km em via subterrânea. A nova estação integrará o Tramo 4 da Linha 1 do sistema, que atualmente liga a Lapa a Águas Claras.