A montadora chinesa BYD avalia ampliar sua presença no automobilismo internacional e estuda uma possível entrada na Fórmula 1. A informação foi divulgada pelo portal norte-americano Bloomberg, que aponta que a fabricante tem intensificado contatos com o universo do esporte a motor nos últimos meses.
Segundo a publicação, o principal entrave para o projeto é o alto custo de operação de uma equipe na principal categoria do automobilismo. Ainda assim, a empresa considera diferentes caminhos para chegar ao grid, seja com a criação de um novo time, como fez a Cadillac, ou por meio da aquisição de uma estrutura já existente, estratégia adotada pela Audi ao assumir o controle da Sauber.
O interesse surge em um momento de mudanças técnicas na categoria. O novo regulamento das unidades de potência prevê divisão equilibrada entre combustão interna e energia elétrica, com proporção de 50% para cada sistema. O formato se aproxima da proposta tecnológica da BYD, cujo nome significa “Build Your Dreams” e cuja produção é voltada principalmente para veículos elétricos e híbridos.
Além da Fórmula 1, a marca também tem sido citada em conversas envolvendo outras categorias. O CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, afirmou recentemente que a organização mantém diálogo com a fabricante chinesa sobre uma eventual participação no campeonato. Segundo ele, as conversas ocorrem há algum tempo, embora ainda não exista anúncio oficial.
Outro caminho analisado envolve corridas de endurance. O site especializado Daily Sportscar informou que a empresa também entrou em contato com responsáveis pelos regulamentos dos protótipos LMH e LMDh para entender os requisitos técnicos. A intenção seria avaliar uma futura participação na classe Hipercarro do Campeonato Mundial de Endurance da FIA, com possibilidade de expansão posterior para o IMSA SportsCar Championship.
Nesse cenário, existe uma limitação importante. Para competir na categoria GTP do campeonato norte-americano, as fabricantes precisam vender veículos de rua nos Estados Unidos, algo que a BYD ainda não faz. Uma eventual participação na Fórmula 1 poderia contribuir para ampliar a visibilidade da marca no país.
A presença da categoria no mercado norte-americano tem crescido nos últimos anos, impulsionada pela série documental Formula 1: Drive to Survive, da Netflix, e pelas três corridas realizadas atualmente nos Estados Unidos.
Em entrevista ao jornal Le Figaro, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que a presença de uma equipe chinesa no grid seria um passo natural para a categoria após a entrada da Cadillac.