Uma academia da cidade de Anápolis, no interior de Goiás, foi condenada a pagar uma indenização de R$ 20 mil a um aluno após ele ser advertido por usar um short curto durante o treino. O caso, que cabe recurso, ocorreu em junho do ano passado.
Em publicação nas redes sociais, o aluno Marcus Andrade, de 42 anos, afirmou que a situação teve motivação homofóbica. Segundo ele, na ocasião foi informado por um funcionário da academia de que um casal teria se incomodado com a roupa que ele usava.
“Acabei de chegar da academia e, infelizmente, tive que cancelar meu plano na Hope Select aqui de Anápolis, porque um dos personal, ou administrador, sei lá, me chamou no escritório e falou que tinha um cliente incomodadíssimo com o tamanho da minha bermuda e que a esposa dele viria essas pernas. Fiquei muito constrangido“, disse ele, que na época pagava R$ 1.400 de mensalidade.
Após a repercussão do caso, a academia se pronunciou e apresentou uma justificativa baseada nos princípios religiosos como forma de defesa. “Buscamos encantar e surpreender […] sempre para agradar e honrar a Deus”, dizia o texto.
Quase um ano após o episódio, Marcus comemorou a decisão judicial e afirmou que o resultado representa um “sopro de esperança” diante de casos de homofobia no país. “Estou feliz e não é pelo valor ganho na causa, mas pela mensagem poderosa que traz: nós temos o direito de existir, ir e vir em qualquer lugar e estabelecimentos sem passar por constrangimentos”, disse em entrevista ao g1.
Na decisão, a Justiça entendeu que não houve irregularidade na abordagem inicial da academia durante a advertência, no entanto, a juíza apontou que o texto fazer menção religiosa contribuiu para reforçar uma percepção pública de reprovação moral.
“Ao invocar, como fundamento de sua postura, a necessidade de “agradar e honrar a Deus”, vinculando tal referência ao episódio envolvendo o requerente, que é homossexual, a requerida introduziu componente de natureza religiosa em situação já sensível sob o prisma da identidade e orientação sexual”, concluiu a juíza.