Um grupo seleto de especialistas mundiais em vinho se reuniu, no último mês, em um restaurante no centro-leste da França para um evento raríssimo na indústria de luxo: a abertura de uma garrafa de Romanée-Conti datada de 1899. A bebida de 127 anos é avaliada em cerca de 100 mil euros (aproximadamente R$ 606 mil) e foi descrita pelos presentes como um verdadeiro “unicórnio” da enologia.
De acordo com a CNN, o vinho pertence à famosa vinícola Domaine de la Romanée-Conti (DRC), na região da Borgonha, cujas garrafas são disputadas por multimilionários e costumam bater recordes em leilões globais.
No entanto, o atual proprietário da garrafa centenária, o investidor singapuriano Soo Hoo Khoon Peng, tomou a decisão incomum de não manter o item intocável em uma adega especulativa. Um ano após comprá-la para celebrar seu aniversário de 50 anos, ele reuniu críticos e autoridades do setor para degustar a bebida.

Foto: Julie Glassberg
A história de sobrevivência do exemplar impressiona o mercado. O vinho foi comprado originalmente no fim do século XIX pela família nobre francesa de Brou de Laurière. A garrafa permaneceu esquecida e intocada na adega da família por mais de um século.
Em 2011, após a morte de um dos herdeiros, o lote foi leiloado por uma quantia irrisória, já que o rótulo estava muito desgastado e os avaliadores não conseguiram identificar a origem prestigiosa do produto.
Anos depois, a garrafa foi autenticada através de resquícios do rótulo da antiga distribuidora e pela marcação “1899” na rolha original, que permanecia visível através do vidro. A peça acabou sendo oferecida a um grupo restrito de colecionadores, chegando às mãos de Soo Hoo.
Outro fator que torna a garrafa uma relíquia histórica é a sua composição botânica. O vinho de 1899 foi produzido a partir de videiras de Pinot Noir europeias originais, antes que uma praga de insetos americanos devastasse as plantações locais e obrigasse os produtores a adotarem técnicas de enxerto para salvar as safras seguintes.
Durante a degustação, que contou com a presença do atual coproprietário da vinícola DRC, Aubert de Villaine, de 86 anos, a garrafa foi aberta e a qualidade do líquido surpreendeu. Os especialistas notaram que, apesar de o sabor frutado original ter desaparecido, o vinho mantinha uma coloração âmbar luminosa e apresentava notas complexas de flores secas e chá, conservando uma textura delicada e viva.