Obra revisita história e identidade das barracas que marcaram as festas de largo em Salvador

Obra revisita história e identidade das barracas que marcaram as festas de largo em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 09/03/2026 às 12:07 / Leia em 3 minutos

O livro “Saudade Daquelas Barracas – Longing for those Lovely Stalls”, do francês radicado em Salvador Dimitri Ganzelevitch, resgata a memória das tradicionais barracas que marcaram as festas de largo da capital baiana ao longo de décadas. A obra será lançada no dia 25 de março, às 17h, na Aliança Francesa, reunindo histórias, reflexões e imagens sobre um dos símbolos mais emblemáticos da cultura popular soteropolitana.

Mais do que estruturas provisórias montadas para celebrar os santos do calendário baiano, as barracas se tornaram cenários de convivência, criatividade e identidade cultural. No livro, Ganzelevitch revisita esse universo a partir de memórias pessoais e análises sobre as transformações das festas de largo ao longo do tempo.

Ganzelevitch revisita universo das festas de largo a partir da transformação das barracas

Francês que vive na cidade desde 1975, o autor acompanhou de perto a efervescência das festas nas décadas de 1970, 1980 e 1990, período em que abriu uma galeria no Mercado Modelo e passou a observar de perto o impacto cultural e econômico dessas celebrações. “Pouco após a minha instalação no Mercado Modelo, comecei a me interessar pelas festas de largo. Havia uma efervescência prazerosa na montagem das barracas, uma criatividade que tomava conta da cidade”, recorda.

O livro destaca a estética marcante das antigas barracas, que possuíam nomes próprios, fachadas elaboradas e forte ligação com seus proprietários. Entre as mais lembradas estão No Embalo, Carinhoso, Sultão das Matas, Iracema, Senhor dos Navegantes, Minha Vidinha, Top Model e Espigão, espaços que acabaram se tornando parte da paisagem simbólica da cidade. “Com o tempo, as coisas mudam. Têm mesmo que mudar. Mas não para pior”, provoca o autor. “Elas tinham orgulho da própria identidade. Havia uma relação afetiva dos barraqueiros com aqueles espaços”, completa.

Capa do livro, que será lançado no dia 25 de março

A obra também analisa o processo de padronização das barracas ocorrido nas décadas seguintes, que alterou o visual das festas e, segundo Ganzelevitch, contribuiu para a perda de identidade desses espaços. “As barracas perderam sua beleza e a tradição que carregavam. Salvador perdeu uma parte de sua alma”, pontua. Ele também propõe uma reflexão sobre pertencimento, tradição e os efeitos da mercantilização e da publicidade excessiva no cenário das festas populares. “O mercantilismo irresponsável e a poluição visual estão canibalizando aquilo que fez dessas festas um patrimônio cultural”, observa.

Para ampliar o debate, o livro reúne contribuições do antropólogo Ordep Serra, do arquiteto Wesley Pontes e da cordelista Gildete Virgins, trazendo diferentes perspectivas sobre o fenômeno das festas de largo sob os aspectos social, urbano e simbólico.

O registro visual da publicação inclui fotografias de nomes históricos como Marcel Gautherot, Voltaire Fraga e Pierre Verger, além de imagens de Louis Tardy, Maria-Helena Pereira da Silva, Valéria Simões, Lúcia Guanaes, Isabel Gouvêa, Ameris Paolini e Márcio Lima. A obra traz ainda três ilustrações de Carybé, compondo um mosaico visual que atravessa décadas de celebrações populares. A programação visual é assinada por Maria Helena Pereira da Silva.

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