A apresentadora Lívia Andrade revelou ter sido diagnosticada com Nevralgia do Trigêmeo, uma condição neurológica caracterizada por crises intensas de dor facial. O problema é descrito por especialistas como uma das dores mais fortes que uma pessoa pode experimentar.
A doença está relacionada ao Nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. Esse nervo possui três ramificações principais, chamadas oftálmica, maxilar e mandibular, o que explica por que os episódios de dor podem atingir diferentes regiões do rosto.
Na maioria dos casos, o problema surge devido à compressão de um vaso sanguíneo nas raízes do nervo. Esse mecanismo é responsável por cerca de 80% a 90% dos diagnósticos. A nevralgia também pode estar associada a outras condições que afetam o sistema nervoso, como Esclerose Múltipla, isquemias vasculares, tumores localizados no ângulo pontocerebelar ou no próprio nervo, além de outras lesões na região.
As crises costumam surgir de forma repentina e são descritas como pontadas, choques ou sensação de ardor. Em aproximadamente 90% dos casos, a dor ocorre apenas em um lado do rosto. Cada episódio geralmente dura poucos segundos, mas pode se repetir diversas vezes ao longo do dia.
Entre as crises, é comum haver períodos sem dor, conhecidos como remissão. Com o passar do tempo, no entanto, esses intervalos tendem a diminuir, o que pode aumentar a frequência e a intensidade dos episódios.
Atividades simples podem desencadear a dor. Toques no rosto, escovar os dentes, mastigar, beber água, falar ou até a exposição ao vento frio são exemplos de gatilhos relatados por pacientes. Em dias de temperatura mais baixa, os sintomas podem se intensificar.
Quando persiste por mais de três meses, o quadro é considerado crônico e pode se tornar incapacitante. A intensidade das crises pode levar ao afastamento de atividades sociais e profissionais, além de estar associada a quadros de depressão.
O diagnóstico costuma ser clínico, baseado na avaliação médica e na exclusão de outras causas de dor facial. Exames podem ser solicitados quando há suspeita de que o problema esteja ligado a outra doença. Também é necessário descartar condições como problemas odontológicos, sinusopatias, alterações na articulação temporomandibular, certos tipos de cefaleia e doenças infecciosas ou reumatológicas.
O tratamento geralmente não responde a analgésicos comuns, como Paracetamol ou Dipirona. A primeira abordagem costuma ser feita com medicamentos utilizados no controle de crises epilépticas, como Carbamazepina e Oxcarbazepina, administrados em doses baixas e com acompanhamento médico devido a possíveis efeitos colaterais.
Quando o tratamento clínico não é suficiente para controlar a dor, podem ser avaliados procedimentos cirúrgicos. Entre as alternativas estão a descompressão neurovascular, a rizotomia por radiofrequência ou por glicerol e a técnica do balão de compressão. Nesse último método, um cateter é introduzido pela bochecha até alcançar o gânglio do trigêmeo, onde um pequeno balão é inflado para comprimir a estrutura. Estudos indicam controle da dor em cerca de 91% dos pacientes após seis meses e em 66% após três anos, com recorrência aproximada de 30%.
Especialistas orientam que pessoas com dor intensa na face procurem atendimento médico para investigação. As áreas mais indicadas para avaliação são neurologia e neurocirurgia, mas também podem participar do diagnóstico profissionais de cabeça e pescoço, otorrinolaringologistas e cirurgiões bucomaxilofaciais.
Em crises agudas, pode ser necessário procurar pronto-atendimento para controle imediato da dor, com uso de analgesia e, em alguns casos, sedação.
Ao relatar sua experiência, Lívia Andrade contou que os primeiros sintomas pareciam dor de dente. Ela chegou a procurar um dentista e realizou radiografia, mas o exame não indicou cárie.
Segundo a apresentadora, o desconforto se intensificou nos dias seguintes. Ela disse que chegou a chorar durante uma gravação e descreveu a dor como a pior que já sentiu. O incômodo se espalhou por diferentes áreas da face, incluindo cabeça, região próxima aos olhos, dentes, mandíbula, ouvido, garganta, parte da língua e céu da boca.
A apresentadora afirmou que tomou diversos medicamentos, relatou ter ficado grogue durante o tratamento e contou que a dor acabou cedendo. Também orientou seguidores que apresentem sintomas semelhantes a procurarem um neurologista.