Conheça a trajetória de Luislinda Valois, baiana que se tornou a primeira juíza negra do país

Conheça a trajetória de Luislinda Valois, baiana que se tornou a primeira juíza negra do país

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Kirk Moreno com supervisão de João Victor Moraes

Divulgação

Publicado em 08/03/2026 às 15:17 / Leia em 3 minutos

Pioneirismo, coragem e compromisso com a justiça social marcam a trajetória de Luislinda Valois. Nascida em Salvador, em 1942, ela enfrentou desde cedo episódios de preconceito. Filha de um motorneiro e de uma costureira, viveu situações que ajudaram a moldar sua decisão de seguir a carreira jurídica e lutar contra a discriminação.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu quando tinha apenas nove anos. Na escola, Luislinda foi humilhada por um professor por usar material escolar simples. O que poderia ter sido apenas mais um caso de preconceito cotidiano acabou se transformando em um ponto de virada em sua vida.

Determinada a buscar justiça e dignidade, ela trilhou o caminho do Direito e, em 1984, entrou para a história ao se tornar a primeira juíza negra do Brasil.

Conheça a trajetória de Luislinda Valois, baiana que se tornou a primeira juíza negra do país

Sentença histórica contra o racismo

Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira ocorreu em 1993, quando proferiu a primeira sentença baseada na Lei do Racismo. A decisão foi tomada em um contexto de pouca jurisprudência e grande pressão.

“Aquele foi um momento muito difícil para mim, porque não existia legislação consolidada, não existia jurisprudência, não existia nada. Eu era a juíza daquela causa e precisava decidir”, relembra.

Durante o julgamento, Luislinda enfrentou intimidações. Enquanto a audiência acontecia, pessoas do lado de fora do fórum gritavam ameaças caso o réu fosse condenado.

“Imagine, naquela época, em 1993, uma juíza negra ter coragem de publicar uma sentença condenando um estabelecimento reconhecido. Foi muito difícil. Depois encontrei bilhetes com ameaças à minha vida”, conta. “Mesmo assim, foi um aprendizado. Hoje vejo aquele momento como um marco grandioso na minha vida.”

Justiça chegando a quem mais precisa

Ao longo da carreira, Luislinda também desenvolveu iniciativas para ampliar o acesso à Justiça, especialmente em regiões mais afastadas. Entre elas estão juizados itinerantes e projetos voltados para comunidades da Baía de Todos-os-Santos, levando equipes completas do Judiciário até ilhas da região.

“Quando vi aquele barco saindo na Baía de Todos-os-Santos levando a justiça até quem mais precisava, chorei muito. Parecia que Deus estava lavando minha alma”, recorda.

Atuação no governo federal

Em 2017, Luislinda assumiu o comando do Ministério dos Direitos Humanos, passando a atuar na formulação de políticas públicas voltadas à promoção da cidadania e da igualdade.

Mesmo após décadas de atuação institucional, ela afirma que o combate ao racismo ainda é um desafio no país. Segundo a ex-ministra, a discriminação muitas vezes se manifesta de forma velada.

“Precisamos aprender a lidar uns com os outros com respeito e amor”, afirma.

Hoje aposentada da magistratura, Luislinda segue defendendo políticas de inclusão, como o sistema de cotas, e reforça a importância de construir uma sociedade mais justa.

“Sejamos unidos, sejamos amorosos. Vale a pena. Com amor a gente consegue muita coisa. Vamos pedir paz para a humanidade: paz, paz, paz”, conclui.

 

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