Paciente na Bahia recebe tratamento experimental com enzima para lesão medular

Paciente na Bahia recebe tratamento experimental com enzima para lesão medular

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

Stephanie Venâncio

Publicado em 06/03/2026 às 14:29 / Leia em 3 minutos

Um paciente baiano tornou-se o segundo no estado a receber um tratamento experimental com a enzima Polilaminina, apontada por pesquisadores como uma abordagem promissora para lesões medulares agudas. De acordo com informações obtidas pelo Alô Alô Bahia, o procedimento foi realizado nesta sexta-feira (6) no Hospital Mater Dei Salvador e é o primeiro conduzido em um hospital privado da Bahia dentro de protocolo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O paciente é o operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos. Ele sofreu uma perfuração por arma de fogo ao sair do trabalho, quando um disparo atingiu suas costas e provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, causando perda dos movimentos do peito para baixo.

Após conhecer o tratamento por meio de uma reportagem, Paulo entrou em contato com a farmacêutica responsável pela pesquisa e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental aprovado pela Anvisa e pelo laboratório responsável pelo desenvolvimento da enzima.

 

Procedimento

A aplicação foi conduzida pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna do hospital, Fabrício Guedes Machado, com apoio de uma equipe multidisciplinar.

Segundo os médicos, a enzima foi aplicada diretamente na medula espinhal com o uso de agulhas especiais posicionadas na área da lesão. O procedimento foi realizado de forma fracionada em diferentes pontos para ampliar a distribuição da substância.

Após a intervenção, o paciente deverá passar por um processo de reabilitação intensiva com fisioterapia especializada, etapa considerada fundamental para estimular possíveis ganhos funcionais.

Pesquisas

A Polilaminina vem sendo estudada em pesquisas brasileiras voltadas à regeneração de tecidos nervosos. A substância atua degradando componentes da cicatriz que se forma após a lesão medular — uma barreira biológica que dificulta a regeneração dos neurônios — permitindo que fibras nervosas tenham maior possibilidade de reconexão.

Resultados preliminares de estudos clínicos e experimentais indicam que alguns pacientes submetidos à terapia apresentaram melhora parcial de sensibilidade e movimento, principalmente quando associada a protocolos intensivos de reabilitação.

Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que ainda não é possível falar em cura para lesões medulares completas, mas iniciativas como essa representam novos caminhos terapêuticos para pacientes com lesões traumáticas recentes.

Esperança

Para Paulo Araújo, participar do estudo representa uma nova oportunidade após o episódio de violência que mudou sua vida.

“Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação. Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar”, afirmou em entrevista ao Alô Alô Bahia.

Após a aplicação da enzima, o paciente seguirá em acompanhamento médico e passará por um programa específico de reabilitação. Os resultados serão monitorados nos próximos meses para avaliar possíveis respostas neurológicas ao tratamento.

 

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