O drama histórico “Dois Procuradores”, do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa, estreou nesta quinta-feira (5) em Salvador. A produção tem sessões confirmadas até a próxima quarta-feira (11), sempre às 17h25, no Cine Glauber Rocha, em uma temporada curta na capital baiana.
O longa, que marca o retorno de Loznitsa à ficção, foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro e venceu o Prix François Chalais, prêmio que reconhece filmes comprometidos com os valores do jornalismo e da busca pela verdade. No Brasil, a distribuição é da Retrato Filmes.
A história é inspirada no livro do cientista Georgy Demidov, que passou 14 anos preso em campos de concentração soviéticos. Na adaptação dirigida por Loznitsa, um jovem promotor do Partido Comunista decide investigar denúncias envolvendo presos políticos, enfrentando um sistema marcado por arbitrariedades e corrupção institucional.
Descrito pela revista The Hollywood Reporter como um filme de “direção impecável e interpretação impressionante”, o longa dialoga diretamente com o universo de Franz Kafka ao expor engrenagens burocráticas opressoras e indivíduos confrontados por forças que não conseguem compreender. Nesse ambiente, o absurdo se torna parte da narrativa: a culpa antecede a verdade e a justiça se perde em labirintos institucionais.
Além de Cannes, “Dois Procuradores” passou por festivais como o Toronto International Film Festival (TIFF), o New York Film Festival (NYFF), além de mostras em Sydney e Hamburgo. No Brasil, integrou a programação do Festival do Rio, onde foi apontado pela crítica como uma das apostas da temporada, e também participou de mostras em Fortaleza e Recife.
Nascido em 1964, na Bielorrússia, então parte da União Soviética, e criado na Ucrânia, Loznitsa construiu uma carreira marcada por forte abordagem política no audiovisual, consolidando-se como um dos documentaristas contemporâneos mais associados à defesa dos direitos humanos. Entre seus trabalhos recentes está “A Invasão” (2024), que acompanha a guerra na Ucrânia após 2022 e retrata o cotidiano de civis diante da invasão russa.
Uma década antes, o diretor já havia registrado os primeiros sinais do conflito no documentário “Maidan”, sobre os protestos contra o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych. Na transição para a ficção, o cineasta manteve o olhar crítico sobre contextos de violência e guerra em títulos como “Minha Felicidade” (2010) e “Na Névoa” (2012).