“A dor nunca vai embora”, diz mãe de Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas

“A dor nunca vai embora”, diz mãe de Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas

Redação Alô Alô Bahia

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Dinho e Célia Alves — Foto: Arquivo Pessoal

Publicado em 04/03/2026 às 19:58 / Leia em 3 minutos

Três décadas após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas, o legado da banda segue mobilizando homenagens e manifestações de carinho nas redes sociais. No ano em que se completam 30 anos da tragédia, a revista Quem relembra entrevista exclusiva concedida por Dona Célia Alves, em maio de 2025, durante o lançamento do livro Indo Além da Dor.

A obra reúne memórias sobre o filho Dinho, bastidores da carreira e reflexões sobre o luto.

Gratidão acima da tragédia

Ao revisitar o passado, Dona Célia afirmou que prefere guardar as lembranças com gratidão.

“A vida passa tão rápido, quando a gente vê, já se foram trinta anos. Mas agradeço a Deus todos os dias por ter me dado o privilégio de ser mãe de um filho tão especial como o Dinho. Ele foi e continua sendo muito amado. Se tornou inesquecível, não só pra mim, mas pra tanta gente que sente saudade. No meu coração, guardo as alegrias que ele deixou, não a tragédia.”

O menino por trás do artista

Longe dos palcos e do sucesso repentino, Dinho era, segundo a mãe, um jovem carinhoso e muito ligado à família.

“Meu filho era muito amoroso. No dia da última viagem, ele se despediu de mim com muitos abraços e beijos, como sempre fazia. Era um menino muito carinhoso, muito ligado à família.”

Criado na igreja, mantinha uma fé simples e sincera. “Ele aprendeu desde pequeno a temer a Deus. Sempre falei de Jesus para ele e continuo falando até hoje para os meus filhos e netos… Ele tinha uma fé simples, mas sincera. Era grato por tudo.”

Sobre o acidente, Dona Célia prefere não se aprofundar. “Não gosto de falar muito sobre essa questão do acidente, o que falei está no livro. Mas o que eu gostaria de evidenciar é o quanto fico feliz em poder estar, hoje, dizendo para todos o quanto Deus é bom o tempo todo. Mesmo na dor, Ele continua sendo bom.”

Ela conta que ainda sonha com o filho ocasionalmente. “São sonhos tranquilos, leves, e que só aumentam as memórias boas.”

Fé e legado

A fé, segundo ela, foi o que a sustentou após a perda.

“Vou te falar com toda sinceridade: Jesus é a razão do meu viver. Se não fosse Ele, eu não estaria mais aqui. A dor nunca vai embora, mas Deus consola, e a gente segue.”

Trinta anos depois, o fenômeno Mamonas Assassinas segue atravessando gerações. Para Dona Célia, ver jovens que nem eram nascidos na época cantando as músicas da banda é motivo de emoção.

“Tudo que é bom deve ser lembrado! Fico muito feliz em ver jovens cantando, se emocionando, se divertindo… Isso é muito especial. É sinal de que o que eles fizeram foi verdadeiro, deixou marca.”

Sobre como o filho reagiria ao sucesso duradouro, ela não tem dúvidas:

“Ele estaria radiante. Dinho era um sonhador, um lutador. Tenho certeza de que estaria muito feliz com tudo isso. E eu, como mãe, fico em paz em poder contar essa história.”

 

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