O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (2), nos primeiros negócios após os ataques dos Estados Unidos ao Irã no fim de semana, refletindo a reação dos investidores às novas tensões no Oriente Médio. A moeda americana começou o dia cotada a R$ 5,159 para venda no mercado comercial, avanço de 0,46% em relação ao fechamento de sexta-feira (27).
O movimento ocorre em meio ao aumento da incerteza global. Conflitos na região mais importante para a produção mundial de petróleo costumam elevar a aversão ao risco, levando investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar, o franco suíço, o iene, o ouro e títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Esse deslocamento de recursos tende a pressionar moedas de países emergentes, como o Brasil, e a impactar negativamente as bolsas de valores.
A tensão também provocou uma disparada no preço do petróleo. Por volta das 9h, o barril do tipo Brent, negociado em Londres para abril, subia 7,4%, a US$ 78,22, depois de ter alcançado pico de US$ 82,37, alta de 13%. Já o WTI avançava 7%, a US$ 71,70, após máxima de US$ 75,33. A valorização é atribuída não apenas ao envolvimento do Irã no conflito, mas também ao risco para a produção de outros países da região e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Apesar da alta desta segunda, o dólar vinha de um ciclo de desvalorização. Na sexta-feira (27), recuou 0,1% e encerrou fevereiro com queda de 1,54% pela Ptax. No acumulado do ano, a moeda registra baixa de 6,4%, e, em 12 meses, de 7,2%.
No mercado de ações, a tendência é de que a Bolsa brasileira acompanhe o movimento negativo do exterior. A migração para ativos mais seguros pode interromper, ao menos temporariamente, o ciclo positivo do Ibovespa, que recuou na sexta-feira, mas ainda assim fechou fevereiro com alta de 4,1%. No ano, o principal índice da B3 acumula ganho de 17,2%, e, em 12 meses, de 53,7%, segundo dados compilados pela Elos Ayta.