Deputado sugere Conferência Municipal para enfrentar “mercantilização” do Carnaval

Deputado sugere Conferência Municipal para enfrentar “mercantilização” do Carnaval

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Sora Maia/Correio

Publicado em 25/02/2026 às 09:08 / Leia em 3 minutos

O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia, uma indicação à Prefeitura de Salvador propondo a criação da Conferência Municipal do Carnaval. A iniciativa, endereçada ao prefeito Bruno Reis, pretende instituir uma instância oficial, democrática e permanente de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas para a maior festa popular da capital baiana.

Segundo o parlamentar, a proposta busca enfrentar o que classifica como um processo crescente de mercantilização e privatização do evento. “A proposta é direcionada ao prefeito Bruno Reis e enfrenta de forma radical o processo de mercantilização, elitização e privatização da maior festa popular da cidade”, afirma Hilton Coelho.

Para ele, é preciso reposicionar o Carnaval de Salvador como política pública construída com participação social. “O Carnaval de Salvador é patrimônio cultural imaterial do povo soteropolitano, expressão viva da identidade negra e popular da cidade e motor da economia criativa. O modelo atual, porém, concentra recursos, privilegia grandes interesses empresariais e empurra para a margem quem faz a festa acontecer: trabalhadores informais, blocos afro, afoxés, artistas populares, ambulantes, catadores, cordeiros, técnicos de som, motoristas de trio, moradores dos bairros e foliões do chão da rua”, declara.

Na avaliação do deputado, a Conferência Municipal do Carnaval funcionaria como instrumento de democracia cultural e controle social, abrindo espaço para discutir o modelo da festa, garantir transparência em contratos de patrocínio e concessões, enfrentar a concentração de renda gerada pelo evento, democratizar o acesso e fortalecer o Carnaval nos bairros, com descentralização de investimentos e programação para além dos circuitos tradicionais. “Carnaval não é mercadoria: é direito cultural do povo”, sustenta.

O parlamentar também defende que as decisões sobre o evento não fiquem restritas a gabinetes ou interesses privados. Para ele, quem constrói o Carnaval com o próprio trabalho precisa ter voz nas definições que vão da organização dos circuitos à proteção dos trabalhadores, do financiamento da cultura negra e popular à mitigação dos impactos urbanos e ambientais da festa.

“Defender o Carnaval Popular é defender a cidade, a cultura negra, o trabalho digno e o direito de ocupar as ruas. Para nós, Carnaval é direito cultural. Sem povo decidindo, não tem festa justa. Defendemos mais participação, menos privatização. Sem participação popular, o Carnaval vira negócio para poucos. Com o povo decidindo, o Carnaval volta a ser do povo”, afirma Hilton Coelho.

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