Fundação no Campo Grande pode ser demolida após decreto de desapropriação para linha Lapa–Campo Grande

Fundação no Campo Grande pode ser demolida após decreto de desapropriação para linha Lapa–Campo Grande

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação/CCR Metrô

Publicado em 24/02/2026 às 12:31 / Leia em 3 minutos

A desapropriação de um imóvel histórico no Largo do Campo Grande, em Salvador, para viabilizar a expansão do metrô até a região central, ganhou novos desdobramentos na última segunda-feira (23). Durante discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Téo Senna (PSDB) criticou a forma como o Governo do Estado conduziu o processo envolvendo o prédio da Fundação João Fernandes da Cunha, que poderá ser demolido para a implantação da futura estação da linha Lapa–Campo Grande.

O decreto estadual que prevê a desapropriação foi publicado no último dia 18 de dezembro. Segundo o parlamentar, a instituição cultural teria sido surpreendida com a informação por meio da imprensa, sem notificação oficial prévia ou diálogo com os responsáveis pela fundação. O Alô Alô Bahia tentou contato com a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), responsável por conduzir as desapropriações, com o apoio da Procuradoria Geral do Estado, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

De acordo com Senna, o espaço abriga uma biblioteca com mais de 18 mil livros, recebe estudantes das redes pública e privada, promove eventos culturais e acolhe entidades como a Academia Baiana de Educação (ABE) e o Grupo de Ação Cultural da Bahia (GACBA). “Isso não é apenas uma questão urbanística. Isso é uma questão de respeito”, afirmou o vereador, ao destacar o papel histórico e educacional da instituição para a capital baiana.

O prédio, construído em 1884 e que já sediou o tradicional Clube Cruz Vermelha, foi restaurado pelo professor João Fernandes da Cunha e reinaugurado há 25 anos. Para Téo Senna, o fato de o decreto ter sido publicado às vésperas das festas de fim de ano também dificultou a mobilização e o debate público sobre o tema.

Durante o pronunciamento, o vereador defendeu que projetos de desenvolvimento urbano devem ser acompanhados de diálogo e estudos técnicos que considerem alternativas. “Quando a gente vai reformar a própria casa, não chega com marreta na mão dizendo: ‘Sai que agora eu vou quebrar a parede’”, comparou. Para ele, faltaram audiências públicas e maior transparência no processo e posicionamento de setores que tradicionalmente se manifestam em defesa do patrimônio histórico e da educação. “Modernizar não significa demolir a história”, declarou.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia