De férias em Salvador, Caetano Veloso tem aproveitado para revisitar lugares afetivos da cidade. Neste sábado (21), o artista esteve no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), ao lado da esposa, Paula Lavigne, para conferir a exposição “Alafiou”, do artista visual Alberto Pitta.
“Estive ontem na exposição no MAM de Alberto Pitta e fiquei maravilhado! O nome da exposição é Alafiou e reúne cerca de 45 anos de produção do nosso conterrâneo baiano”, escreveu o cantor nas redes sociais.
A mostra percorre quatro décadas e meia de produção de Pitta, com a cultura afro-brasileira como eixo central. Inspirada na máxima de Mãe Stella de Oxóssi — “o que não se registra, o tempo leva” —, a exposição destaca o compromisso do artista com a preservação de saberes tradicionalmente transmitidos pela oralidade.
Filho de Mãe Santinha de Oyá, Pitta cresceu em contato com o candomblé e incorporou à sua obra elementos da religiosidade afro-brasileira, além da relação com a costura, que se tornou central em sua percepção de tecido como corpo e memória.
Desde os anos 1980, desenvolve desenhos, colagens, figurinos, estampas e objetos, além de criar identidades visuais de blocos como Olodum, Ilê Aiyê, Apaches do Tororó e Cortejo Afro — este último fundado por ele, em 1998.
A exposição reúne desenhos, colagens, peças de design, publicações, instalações e matrizes serigráficas, além de pinturas recentes. Pitta já participou de mostras como a Bienal de Sydney, a Bienal de São Paulo e “O Quilombismo”, em Berlim. Suas obras integram acervos de instituições como Perez Art Museum Miami, Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca de São Paulo, MALBA e o próprio MAM-BA.
“Alafiou” fica em cartaz até fevereiro de 2026 e encerra a trilogia do MAM-BA dedicada a artistas baianos que ampliam o diálogo entre cultura popular e erudita, iniciada em 2023 com J. Cunha e seguida por Goya Lopes.