Mistério espacial: sonda soviética, a primeira a pousar na Lua, está perto de ser encontrada

Mistério espacial: sonda soviética, a primeira a pousar na Lua, está perto de ser encontrada

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 13/02/2026 às 15:44 / Leia em 3 minutos

Seis décadas após realizar o primeiro pouso controlado na Lua e transmitir imagens da superfície lunar, a sonda soviética Luna 9 pode ter seu local de repouso finalmente identificado. Pesquisadores afirmam ter delimitado áreas prováveis onde o equipamento permanece desde 3 de fevereiro de 1966, data histórica para a corrida espacial em plena Guerra Fria.

O avanço foi conduzido por uma equipe liderada por Lewis Pinault, do University College London. O grupo desenvolveu um algoritmo de aprendizado de máquina para analisar centenas de imagens registradas pela Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa. O programa, denominado You-Only-Look-Once—Extraterrestrial Artifact, ou YOLO-ETA, examinou a superfície lunar em busca de vestígios compatíveis com a estrutura da Luna 9.

A ferramenta reduziu a busca a alguns pontos específicos dentro de uma área de 25 quilômetros quadrados, região inicialmente estimada pelos soviéticos como o local de pouso, no Oceanus Procellarum. Segundo os pesquisadores, qualquer um desses locais pode conter os restos da sonda, mas será necessária uma nova análise detalhada para confirmar a posição exata.

O estudo foi publicado na revista “Space Exploration”.

Sonda soviética Luna 9 — Foto: Reprodução/Nasa

Embora os Estados Unidos tenham sido o primeiro país a levar astronautas à Lua, em 1969, a União Soviética já havia alcançado a superfície lunar três anos antes com a Luna 9. Diferentemente dos módulos atuais, o equipamento utilizava uma cápsula esférica com amortecedores infláveis e um motor de frenagem. Após tocar o solo, a sonda quicou algumas vezes antes de se estabilizar com quatro painéis em formato de pétala. Ela enviou as primeiras imagens da Lua e permaneceu ativa por três dias, até o esgotamento das baterias.

Tentativas anteriores de localizar o artefato não tiveram sucesso. Em 2009, cientistas apostaram que imagens da LRO poderiam esclarecer o paradeiro da sonda, mas a iniciativa não avançou devido a cálculos considerados desatualizados e à possibilidade de a nave ter parado a quilômetros do ponto inicialmente previsto.

No novo estudo, o algoritmo foi testado em outros locais de pouso conhecidos, como o da sonda soviética Luna 16, e apresentou altos índices de precisão, segundo a equipe.

Os pesquisadores avaliam que novas observações poderão confirmar a descoberta em breve. A missão indiana Chandrayaan-2, com lançamento previsto para março de 2026, deve sobrevoar as mesmas regiões indicadas pelo YOLO-ETA, o que pode contribuir para esclarecer definitivamente o destino da Luna 9.

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