A cantora, atriz e diretora musical Larissa Luz estreia, nesta quinta-feira (12), como a primeira mulher a comandar o espetáculo de abertura do Carnaval de Salvador. A apresentação acontece no fim da tarde, no Campo Grande, marcando o início oficial dos sete dias de folia que, em 2026, homenageiam o samba, tema que, segundo a artista, foi decisivo para que aceitasse o convite.
Em entrevista ao g1, Larissa contou que se empolgou ao saber que o ritmo seria o fio condutor do show. A proposta é narrar a trajetória do samba a partir do Recôncavo baiano, com o samba de roda, até a atualidade, passando pelo pagodão. O maior desafio, segundo ela, foi condensar essa história em 1h40 de espetáculo, projeto que foi abraçado pela Salvador Turismo (Saltur), empresa ligada à Prefeitura e responsável pelo evento.
“Quando eu vi que era samba, eu me empolguei. Comecei a ver, a ler, a pesquisar, a criar internamente um monte de coisa. E aí eu montei uma estrutura de um espetáculo. Marquei uma reunião e apresentei. Isaac Edington [presidente da Saltur] prontamente adorou a ideia e falou: ‘Vamos fazer'”, relembra.
Para dar vida à narrativa musical, um time diverso de artistas foi convocado. Entre os nomes confirmados estão Nelson Rufino, Fernando Rufino (Batifun), Mariene de Castro, Márcio Victor, Malê Debalê, Ganhadeiras de Itapuã, Roberto Mendes, Edil Pacheco, Taian Riachão, Gal do Beco, Juliana Ribeiro, Xanddy Harmonia, Illy, Edcity, Tonho Matéria e Chocolate e Tiago da Bahia.
Ao explicar a construção do espetáculo, Larissa destacou o cuidado em costurar as histórias e escolher as participações. “Eu fui fazendo essa caminhada pelas músicas, por essas histórias que a gente queria contar. E aí, tecendo essa trama, foram vindo nomes de pessoas que poderiam participar. A gente queria fazer muito mais gente. Mas acho que a gente fez caber muita coisa interessante, muita coisa importante e muito gente legal também colou”, completou.
Além do ineditismo artístico, o fato de ser a primeira mulher a dirigir a abertura do Carnaval de Salvador carrega, para Larissa, um significado que vai além da realização profissional. A artista, que aborda em sua obra o empoderamento feminino e negro, vê o momento como a materialização do discurso que defende.
“Em meu trabalho, eu trago muito o empoderamento feminino, o empoderamento feminino negro. Falo muito sobre ocupação de espaço, sobre liderança, sobre alternância de poder. Então, acho que mais do que discurso, a gente precisa colocar as nossas palavras e as nossas ideias em prática. E, para mim, esse trabalho é uma forma de colocar em prática tudo que eu venho falando”, defende.
“Nesse sentido, eu acho que encoraja outras a seguirem por caminhos parecidos, e também muda um pouco a visão das coisas, traz um outro panorama, um outro ângulo, um outro prisma. Mostra uma outra forma de fazer. Mostra que a gente também é capaz”, afirmou.
Mesmo à frente da direção do espetáculo de abertura, Larissa mantém agenda intensa durante a folia, com shows no sábado, domingo, segunda e terça-feira. Um dos destaques será a apresentação no Largo do Pelourinho ao lado de Anelis Assumpção e Sued Nunes, em um tributo às grandes vozes femininas do samba.
“A gente vai homenagear várias mulheres, como Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clara Nunes e Leci Brandão. A gente vai fazer um passeio por essas cantoras, essas vozes do samba. O nome do show é ‘Três Marias'”, pontuou.
Após o Carnaval, a artista já prepara o lançamento de um novo disco, ainda sem data divulgada. Segundo ela, o trabalho dialoga diretamente com a energia da festa e com o fazer político na música que marca sua trajetória. Larissa também adiantou que assumirá, ainda este ano, a direção de um musical de um artista baiano, cujos detalhes serão anunciados em breve.
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