Muncab prepara exposição com maior acervo de arte afro-brasileira já repatriado ao Brasil; saiba detalhes

Muncab prepara exposição com maior acervo de arte afro-brasileira já repatriado ao Brasil; saiba detalhes

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Jefferson Peixoto / Secom

Publicado em 10/02/2026 às 12:43 / Leia em 3 minutos

Um dos principais equipamentos culturais da capital baiana, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira está a pleno vapor nos preparativos para a sua próxima exposição. A mostra reunirá a maior coleção de arte afro-brasileira já repatriada para o Brasil, com mais de 600 obras de 135 artistas da Bahia, Pernambuco e Ceará. A abertura está prevista para o início de março.

As peças chegaram a Salvador em 12 de janeiro e, desde então, passam por processos de registro, catalogação e restauração. Toda a equipe de museologia do Muncab participa da montagem, ao lado de curadores, designers, produtores, técnicos, historiadores, restauradores e outros especialistas. Ao todo, cerca de 130 profissionais estão envolvidos na operação.

Para receber o acervo, o prédio do museu, localizado na Rua das Vassouras, no Centro Histórico, passou por adaptações. O andar que abrigava a diretoria administrativa está sendo desocupado para acomodar as obras, enquanto as equipes foram transferidas para um edifício vizinho. Segundo a equipe técnica, algumas peças sofreram variações de temperatura durante o transporte, mas o conjunto apresenta bom estado de conservação e demanda poucos reparos.

A diretora do Muncab, Cíntia Maria, destaca que foram mais de cinco anos de negociações até que Salvador fosse definida como destino definitivo do acervo.

“As obras foram doadas por duas norte-americanas, Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que começaram a formar essa coleção há mais de 30 anos. O conjunto reúne pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras, arte sacra, objetos rituais e outras tipologias produzidas por 135 artistas, dos quais 93 são afro-brasileiros”, afirma.

Entre os artistas representados na mostra estão J. Cunha, Babalu, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim. Com a incorporação do acervo, o Muncab passa a abrigar uma das maiores coleções de arte afro-brasileira do país.

O processo de repatriação envolveu diversos órgãos e instituições, incluindo embaixadas, os ministérios da Cultura e da Fazenda, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, a Petrobras, a Wilson Sons e a Alfândega da Receita Federal.

Doação

Doadoras das obras, Bárbara Cervenka e Marion Jackson visitaram o Brasil ao longo de três décadas, organizaram exposições itinerantes e contribuíram para a divulgação da cultura nordestina na América do Norte. Em 2015, já idosas, decidiram devolver o acervo ao país, mas enfrentaram resistência de instituições interessadas apenas em obras de artistas consagrados.

Em 2020, o Muncab manifestou interesse em receber a coleção completa. Após visitarem o museu em Salvador, Bárbara e Marion optaram por doar o conjunto à cidade.

As obras retratam temas como o Carnaval, o Pelourinho, o candomblé, a Irmandade da Boa Morte, manifestações populares, revoltas históricas e o período da escravização. “É um acervo diverso e fundamental para compreender a história e as transformações do Centro Histórico de Salvador. Estamos preparando essa exposição com muito cuidado”, destacou Cíntia Maria.

Após a organização museológica, o acervo ficará disponível para visitação pública e pesquisa acadêmica. O Muncab funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com último acesso às 16h30. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com entrada gratuita às quartas-feiras e aos domingos.

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