O projeto de lei protocolado nesta quinta-feira (5), na Câmara dos Deputados, pelo deputado federal Renan Ferreirinha, que propõe restringir o acesso de crianças e adolescentes de até 16 anos às redes sociais, reacendeu um debate cada vez mais presente nas famílias brasileiras: até que ponto jovens estão preparados para circular livremente em ambientes digitais criados para adultos.
A proposta surge em meio ao aumento de relatos envolvendo impactos negativos do uso excessivo e desprotegido das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes, como ansiedade, depressão, automutilação e exposição a comunidades tóxicas online.
O tema dialoga diretamente com o livro Aconteceu com Minha Filha, do autor Paulo Zsa Zsa, pseudônimo de um pai que viveu um dos mais duros episódios da era digital ao acompanhar o sofrimento da própria filha. Na obra, ele relata o envolvimento da adolescente com grupos nocivos nas redes, episódios de automutilação, simulação de enforcamento e sucessivas internações em hospitais e clínicas psiquiátricas.
Mais do que um relato pessoal, o livro se apresenta como um alerta sobre os perigos muitas vezes invisíveis das telas e o poder silencioso das plataformas digitais sobre o desenvolvimento emocional de jovens. Ao mesmo tempo, aponta para a possibilidade de reconstrução de laços familiares, resgate de afetos e recomeços, mesmo após experiências extremas.
Para o autor, iniciativas legislativas como a proposta apresentada na Câmara trazem para o debate público uma questão que, por muito tempo, permaneceu restrita ao ambiente doméstico.

Livro Aconteceu com Minha Filha
“Esse projeto de lei toca num ponto central: crianças e adolescentes estão sendo expostos muito cedo a ambientes digitais que não foram pensados para eles. O que relato em Aconteceu com Minha Filha é o que acontece quando o mundo virtual ultrapassa qualquer limite de proteção”, afirma.
Paulo Zsa Zsa ressalta que a discussão não deve ser tratada como censura, mas como uma medida de cuidado diante de um cenário marcado por algoritmos, hiperexposição e busca constante por validação.
“Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que adolescentes ainda estão em formação. O acesso irrestrito às redes pode trazer consequências sérias, muitas vezes silenciosas, para a saúde mental. Legislar sobre isso é assumir uma responsabilidade coletiva”, conclui.
O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação, mas já provoca reações de especialistas, educadores e famílias, que defendem maior regulação e políticas públicas voltadas à proteção digital de crianças e adolescentes no Brasil.