Muito além da festa: quem é Iemanjá, a Mãe das Águas, e por que a Bahia se curva diante dela

Muito além da festa: quem é Iemanjá, a Mãe das Águas, e por que a Bahia se curva diante dela

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Adenilson Nunes/Agecom/Reprodução

Publicado em 02/02/2026 às 08:26 / Leia em 3 minutos

Quando os primeiros raios de sol tocam o mar do Rio Vermelho neste 2 de fevereiro, eles iluminam algo muito maior do que uma festa ou um cartão-postal turístico de Salvador.

Para os filhos de santo e para a cultura da Bahia, o dia é de reverência àquela que acolhe todas as cabeças: Iemanjá. Mas, entre o som dos atabaques e o estouro dos fogos, quem é, de fato, a Rainha do Mar?

Originalmente, na mitologia iorubá (da região da atual Nigéria), Iemanjá, ou Yemọjá, é uma divindade de rio, especificamente o Rio Ogun.

Seu nome vem da expressão “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são peixes”. Foi na travessia forçada da diáspora africana para o Brasil que ela expandiu seus domínios.

Como o mar era o caminho que separava os escravizados de sua terra natal, Iemanjá assumiu o controle das águas salgadas, tornando-se a grande mãe que ampara a travessia e o destino.

No Candomblé, Iemanjá é considerada a mãe de quase todos os Orixás e, por extensão, a mãe de toda a humanidade. Ela rege o Ori (a cabeça) antes mesmo que a pessoa saiba qual é o seu orixá de frente.

É por isso que sua festa atrai multidões tão diversas: ela representa o acolhimento incondicional, o colo materno que não julga, apenas nutre e protege.

Seus símbolos, o espelho (abebé), os peixes e as conchas, falam de vaidade, mas também de fecundidade e fartura. Ela é a força das águas que geram a vida, a estabilidade da família e o equilíbrio mental.

Diz-se que, assim como o mar, Iemanjá pode ser calma na superfície, mas possui profundezas e correntezas que exigem respeito.

Historicamente, para sobreviver à intolerância, o culto a Iemanjá foi sincretizado com Nossas Senhoras, especialmente a Nossa Senhora da Conceição (padroeira da Bahia) e a Nossa Senhora dos Navegantes. No entanto, a cada ano, o 2 de fevereiro em Salvador atenua a identidade própria da orixá.

Hoje, o Rio Vermelho vê menos imagens de santas católicas e mais representações da mulher negra, com curvas maternais e adereços africanos que reafirmam a ancestralidade que construiu a Bahia.

Nesta segunda-feira, o presente principal que sai da Colônia Z1 e os milhares de balaios depositados na praia não são apenas pedidos. São, acima de tudo, agradecimentos.

Em uma cidade banhada pelas águas, Iemanjá não é apenas uma divindade religiosa; é uma matriarca onipresente que lembra ao soteropolitano, todos os dias, que a vida vem e vai como as marés e sempre existe um porto seguro. Odoyá!

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